O Tribunal de Justiça autorizou, em caráter liminar, o retorno de Eloir Valença à Câmara de Vereadores de Londrina.
Ele foi afastado em primeira instância por haver “indícios” de ter aceitado suborno para bandear da oposição para a aliança entusiástica com o (cada vez mais por enquanto) prefeito Homero Barbosa.
A liminar poderá ser revogada, e recurso daqui, recurso dali, Eloir poderá estar no exercício do cargo quando chegar o grande momento – a decisão sobre o relatório que a Comissão Processante prepara sobre o envolvimento de Homero Barbosa com a empresa Centronic (falcatruas e desvio de dois vigilantes para a rádio do cada vez mais por enquanto pagos com dinheiro do público).
A Comissão de Investigação comprovou a culpa de Homero, baseada em depoimentos (dos vigilantes), documentos da Centronic e absoluta falta de comprovação da tese central da defesa neste quesito, que foi o “contrato de permuta” entre rádio e empresa.
A responsabilidade de Homero Barbosa está escancarada. Dia 28 vence a prorrogação do prazo para ele apresentar sua defesa. Não se espera que avance, a não ser que um anjo encontre os documentos…
Voltemos ao Eloir. Ele votou favoravelmente ao relatório da CEI e, antes que a suspeita de corrupção viesse à tona, ele havia anunciado que mudaria seu voto.
Se estiver no exercício do mandato quando o tema for a votação, sua decisão reverterá o placar, hoje desfavorável, beneficiando o (cada vez mais por enquanto prefeito). São necessários 13 votos. Sem Eloir, a oposição tem esse quórum. Com Eloir, não.
Não bastasse a abrupta mudança de lado sem explicação plausível, pesa contra Eloir (entre outros indícios) esse trecho do telefonema, interceptado pelo Gaeco, de Ludovico Bonato a seu irmão, Sérgio, esposa de uma assessora do vereador, que estava indignada com sua mudança de posição. (Bonato é acusado pelo Gaeco de ser o mala preta da “organização criminosa” que atuava para manter o mandato de Homero Barbosa.)
“Eu tive que fazer esse jogo (…) mas não foi sacanagem nem com ele não, foi coisa dele mesmo. Sérgio, todo homem tem um preço e os políticos do Brasil tá num leilão tá tudo na promoção (sic).”
O mínimo que se pode esperar de Eloir, quando o tema for votado, é que ele se declare impedido.
Assim, resgatará um pouco da dignidade, que ele próprio comprometeu com a dualidade de seu comportamento.
O vereador Rony Alves, da Comissão de Investigação que trata das irregularidades praticadas pela Secretaria de Educação de Londrina, revelou hoje que a Prefeitura abriu mão de um desconto de R$ 117 mil na compra da coleção “Vivenciando a cultura afro-brasileira” (que foi encostada por ser imprestável).
A compra foi feita da Editora Ética, da Bahia. Foram comprados 11 mil exemplares.
A primeira proposta, para um total de 5,5 mil exemplares, concedia desconto de 20%. A Prefeitura decidiu comprar o dobro de exemplares, e a editora concedeu desconto de …18%. (Nem Brimo Salim ousaria tanto.)
O total da transação foi de R$ 621 mil, sobre os quais incidia o desconto de R$ 117 mil.
Mas a Prefeitura, magnânima que é, deixou pra lá. Pagou o preço cheio.
Acredite se puder… mas é verdade!
Eloir Valença (esquerda), vereador afastado do cargo por decisão judicial por ser acusado de ter aceitado suborno para impedir a cassação do mandado do (cada vez mais por enquanto por enquanto) prefeito de Londrina, Homero Barbosa.
À direita, Alysson Carvalho, o Pinguim, ex-chefe de gabinete do prefeito e deposto da direção de Participações do Sercomtel, por decisão dos conselheiros da empresa. É acusado de ter sido o portador do dinheiro da tentativa de suborno do vereador Amauri Cardoso, que denunciou o esquema.
Valença e Carvalho são dois dos seis acusados de formaram uma “organização criminosa” – cinco dos quais dirigente s do PDT local – cuja finalidade era corromper vereadores. Três estão presos, um perdeu a presidência do Sercomtel, e Carvalho estava foragido e se entregou nesta madrugada.
Valença e Carvalho foram fotografados sendo conduzidos ao hospital por passarem mal durante depoimento ao Gaeco, que conduz as investigações.
É a segunda vez que Carvalho é internado pelo mesmo motivo.
Feita a introdução, vamos ao que interessa.
Senhor Homero Barbosa Neto, cada vez mais por enquanto por enquanto prefeito de Londrina, sei que suas atividades febris em prol dos pobres, dos perseguidos, dos injustiçados de Londrina não lhe concedem tempo para ler este blog.
Sei também que minhas críticas contumazes ao senhor não o estimulam a lê-lo.
Mas o senhor, assim como seu porta-voz oficioso Diogo Hutt, dispõem de assessoria para informá-los de minha existência, conforme as circunstâncias.
Então, senhor Homero Barbosa, que se diz servo do Senhor, paladino da Justiça e arauto da verdade, ajude-os. Ajude esses homens que se empenharam tanto pelo senhor. Correram tantos riscos pelo senhor. Dispuseram-se a tudo pelo senhor.
Faça um exame de consciência profundo, analise a dor que a fidelidade deles ao senhor está causando a eles, aos familiares e amigos deles.
Senhor cada vez mais por enquanto por enquanto prefeito: depois dessa reflexão, desse encontro com o menino puro que um dia o senhor foi, aquele menino que roubava cenouras para saciar a fome, tome a atitude, a única atitude digna que se pode esperar de um chefe de família, de um chefe do Executivo que implantou uma administração “revolucionária”, de alguém que invoca o Santo nome do Senhor até (ou principalmente) em inaugurações de obra alheia, como o Minha Casa, Minha Vida: abra o seu coração.
Durante a campanha eleitoral, quando veio a público uma parte das maracutaias que seu ex-chefe de gabinete Luciano Lopes acusou o senhor de ter praticado como deputado federal, o senhor e sua digníssima primeira-dama exibiram camisetas com os dizeres: “Deus está no controle”.
Pois bem, senhor Homero Barbosa, para o bem de seus aliados tão fiéis, da família e amigos de todos eles, para o seu próprio bem – pois o senhor é do bem; do mal são os que o acusam, o perseguem somente porque o senhor defende os pobres – revele o que sabe sobre os métodos de ação da quadrilha, quem arranjou o dinheiro para ela, quem, enfim a inspirou.
Revele tudo a quem está no controle neste momento: o Gaeco!
E requiescat in pace!
Sr. Pinguim, Sr. Pinguim
Mas que bela porcaria:
O senhor na delegacia
Pra atrapalhar minha poesia?
Pois é, Alysson Carvalho, ex-diretor do Sercomtel acusado de participar da “organização criminosa” encarregada de subornar vereadores para preservar o mandato do (cada vez mais por enquanto por enquanto) prefeito de Londrina, Homero Barbosa, entregou-se na madrugada desta quarta-feira.
E para não perder o trabalho
Que foi duro pra …
Publico abaixo a poesia
Antecipada em um dia.
A turminha do Barbosa
Veja só, tão safadinha!
Bastou uma vaciladinha
E está curtindo uma amargosa
Foi parar no cadeião
Cela forte, cama dura, cadeadão
Carecas, abóbora no macacão
Banho juntos, tudo peladão
Por pouco, bem pouquinho
Se safou o seu Coutinho
E com dor no coração
Tadinho, foi pra casa o Vacilão
O seu Pinguim foi, saiu,
Voltou e mais uma vez saiu
Mas a Justiça se arrependeu
E o pinguim se escafedeu
Procura-se um pinguim!
Procura-se um pinguim!
Ontem estavam no gostoso
Hoje um “bando criminoso”
O mundo já foi cor de rosa
E se acabou, até pro Barbosa
Mão leve aqui, dedo duro ali
Rasteira lá, sumiço acolá
Sempre inocente o seu Barbosa
De dar inveja a Ali Babá
Licitação, só esculhambação,
Confusão e suspeição!
CMTU, Saúde, Educação:
Em toda parte, só corrupção
Para a rádio dele até guarda
Pago com dinheiro público
Deve ser um fato único
Um exemplo de vanguarda
Procura-se um pinguim
Procura-se um pinguim
Pois é, seu Barbosa:
Está chegando o seu
FIM
(1. Na foto acima, surrupiada da página de Homero Barbosa no Facebook e postada em 30 de março, da esquerda para a direita: Roberto Coutinho, Alysson Carvalho (Pinguim), Rogério Ortega, assessor (com o notbook na frente), Marco Cito e o (cada vez mais por enquanto por enquanto por enquanto) prefeito.
2. Esta tentativa de poesia é uma paródia da paródia da paródia – que foi a tentativa de compra superfaturada de kits escolares – intitulada A Tampinha do Barbosa, que pode ser consultada em:
http://josepedriali.blogspot.com.br/search?q=a+tampinha+do+barbosa)
E a solidão do (cada vez mais por enquanto por enquanto) prefeito de Londrina, Homero Barbosa, aumenta: o presidente do Conselho de Administração do Sercomtel, José Mário Resende, pediu demissão.
Resende era indicação de Homero Barbosa e, desde a eclosão do escândalo envolvendo membros do círculo íntimo do (cada vez mais por enquanto) prefeito na denúncia de suborno de vereadores, ele estava desaparecido.
Segundo o portal bonde.com.br, Resende não justificou o motivo da renúncia, feita por carta.
A demissão coincidiu com a posse do novo presidente do Sercomtel, o engenheiro Régis Tavares, que substitui Roberto Coutinho Mendes, afastado por decisão judicial. Coutinho é um dos acusados de participar da “organização criminosa” que subornou um e tentou subornar outro vereador.
Há uma semana, o Conselho de Administração, à revelia de Resende, exonerou Alysson Carvalho, outro acusado, da diretoria de Participações. Alysson é foragido da Justiça.
A condenação por improbidade administrativa do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati, do deputado federal André Vargas, entre tantos outros, por fraude em licitação para financiar campanha eleitoral comprova que a Justiça tarda, mas não falha.
O crime foi praticado em 1997…
Vargas chefiava a campanha de Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, que disputava uma vaga na Câmara Federal, e recebeu R$ 10 mil. O juiz considerou que ele não tinha como saber da origem criminosa do dinheiro, mas o enquadrou e exigiu a devolução a grana.
Antes tarde do que nunca.
O “ato de desagravo” a si próprio, promovido pelo (cada vez mais por enquanto) prefeito de Londrina, Homero Barbosa, com o aval da direção nacional do PDT, somente agrava sua situação.
O ato pretendeu demonstrar apoio da cúpula do partido e da população de Londrina a Homero, assediado por avalanche de denúncias de corrupção, que respinga em seus principais assessores.
A direção do PDT local está na prisão ou foragida ou destituída de seus cargos públicos (por decisão judicial) porque é acusada de formar uma quadrilha que subornou um e tentou subornar outro vereador para que mantivessem o mandato do (cada vez mais por enquanto prefeito).
Foi o Gaeco que liderou a investigação. Foi o Gaeco um dos alvos principais da manifestação. Os outros foram a verdade, a legislação eleitoral, a Lei da Cidade Limpa.
Homero Barbosa e o PDT haviam sido notificados na segunda-feira pela Justiça por terem promovido manifestações no Calçadão. A violação à legislação eleitoral foi evidente e o atropelo às normas da Lei Cidade Limpa, de autoria de Homero, idem.
Homero e o PDT deram de ombros à notificação, promovendo, na segunda-feira à noite, um comício disfarçado de “ato de desagravo”.
Foram, portanto, reincidentes. A legislação eleitoral prevê a realização de comícios somente a partir de 6 de julho.
A intenção eleitoral, combinada com a afronta à verdade, que se resume na tese de que Homero é vítima do Gaeco, que “forja” provas contra ele por se tratar do “braço político-policial” do governo do Estado, ficou manifesta no lançamento de sua candidatura à reeleição feito pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi.
Homero e o PDT afrontaram a Justiça.
“Entre os responsáveis pela poluição visual da cidade justo o seu Prefeito (pré-candidato nas eleições vindouras) Homero Barbosa Neto, que mais do que qualquer outro devia dar exemplo de respeito pelas posturas municipais”.
A afirmação é do juiz Paulo César Roldão, da 157ª Vara Eleitoral, que notificou Homero Barbosa e o PDT pela prática de crime eleitoral (referida acima).
Ele se refere à violação das normas administrativas praticadas pelos militantes do PDT – o comando local do partido é de Homero Barbosa -, contidas na Lei Cidade Limpa, de autoria do próprio Barbosa.
Essas violações foram:
- instalação de uma barraca no Calçadão sem autorização da CMTU
- distribuição de panfletos (sem autorização)
- afixação de bandeiras do PDT em postes públicos de iluminação (o que fere a Lei Cidade Limpa).
O que ocorreu durante o tal comício-“desagravo”:
- um ato contrário à legislação eleitoral em praça pública, com a conivência da CMTU e Guarda Municipal (sempre solícita para confiscar produtos de vendedores ambulantes…)
- distribuição de panfletos
- afixação de faixas em postes de iluminação e árvores (árvores!)
Assim, Homero Barbosa, aquele que “mais do que qualquer outro devia dar exemplo de respeito pelas posturas municipais”, pisoteou as posturas municipais instituídas por ele mesmo.
O desagravo-comício foi promovido com o despudorado uso da máquina pública.
O Núcleo de Comunicação Social recorreu ao mailing oficial da Prefeitura para distribuir convites, enviados também – na forma de convocação – aos servidores públicos municipais.
Parte dos convites foi enviado do e-mail pessoal de José Otávio Ereno Sancho, chefe do Núcleo.
Ônibus foram contratados para levar a população da periferia.
Na zona rural, a população foi “incentivada” a participar com a promessa de que, assim, tornaria mais rápida a liberação de casas populares.
Qual a diferença, ou semelhança, entre subornar um vereador com dinheiro e promessa de ajuda financeira na campanha eleitoral e convocar moradores da zona rural com a fantasia de que, apoiando o prefeito, eles terão mais cedo a casa própria de seus sonhos?
Uso da máquina pública, mobilização popular contra os investigadores, aos quais agride, desrespeito à legislação eleitoral e às leis de sua própria autoria…
Homero Barbosa está acumulando motivos para que a Justiça decrete seu afastamento para o bem das investigações sobre “organização criminosa” que agia em seu benefício…