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Escola em crise?

Nos primeiros anos de ministério fui também professor. Em Maringá, no querido Gastão. Depois, em Paranacity, no Ginásio Estadual e na Escola Normal. Risonhos tempos, infelizmente de curtíssima duração. A aposentadoria foi-me imposta por obra e graça do secretário estadual de Educação, um militar com patente de coronel. Era o ano de 1971. O Dops – Departamento de Ordem Política e Social montou sobre mim uma ficha, pelo visto, não muito elogiosa. Jamais escondi, admito, minha antipatia pela ditadura militar daquele tempo. Por conta do perigo (imagine!) que eu representava para a Segurança Nacional, acabei “delicadamente” apeado das funções de professor. Nunca mais pisei numa escola pública. Nada a lamentar. Padre tem trabalho de sobra, até fora da escola, espaço do sofrido herói a quem chamamos professor.

Na escola – como aluno ou como professor – fui muito feliz. O mesmo não dizem muitos a quem cabe a hoje espinhosa missão de ensinar. Compadre meu de Curitiba não esconde: “Houve tempo em que eu sentia orgulho de dizer que sou professor. Agora, tenho vergonha”.

Meu Deus, que foi feito da “escola risonha e franca” que conhecemos na nossa infância e juventude? Será que nascemos num tempo assim tão distante? Tínhamos prazer em levar para a professora uma fruta ou um doce que a mãe fazia. Não por adulação nem sabujismo. Pela ternura que, em nossa inocência, dedicávamos a quem nos conduzia pelos “caminhos do saber”. Professor prolongava o natural poder e a autoridade do pai e da mãe. Lar, escola e igreja mesclavam-se como instâncias as mais confiáveis da vida. Assim nos ensinaram os pais, desde quando nos fizemos capazes das primeiras lições.

A dita pós-modernidade levou ao paroxismo a apologia do individualismo, da autonomia pessoal, da soberba cultivada como valor absoluto. Hoje professores sentem-se pajens, quando não reféns de crianças e jovens indolentes, egoístas, arrogantes, rebeldes, embrutecidos, violentos… Escola virou palco de episódios da crônica policial. Perigo à vista. Desautorizado o professor, quem ensinará as novas gerações?

Muitos pais perderam (ou nunca tiveram mesmo) a capacidade de impor limites. Abriram mão do papel de educadores. Numa clara confissão de fracasso, jogaram a toalha. Agora querem, por toda a lei, delegar aos professores a insubstituível função de formar o caráter dos filhos. Isso pertence a pai e mãe, não a professor. Escola existe para ensinar. Para educar existe a família. Educação é anterior ao nascimento. Começa na barriga da mãe.

Antes até: brota daquele amor corajoso e desprendido com que um rapaz e uma moça vão para o casamento. Educação de filho só existe se o casal que o gera também o assume com responsabilidade para tudo o que vier pela frente. Aqui é que se encontra o xis da questão.

Não é a escola que está em crise. Nem a sociedade. Quem está em crise é a pessoa humana. O agente primeiro, corrupto e detonador de todas as desgraças pessoais e comunitárias mora no interior de cada um. É a indigência de valores, a miséria espiritual e moral em que tantos rastejam, sem a disposição de mudar. É a carência de ideais, o cinismo que ridiculariza tudo o que é nobre e justo. A mediocridade dominante, à qual a maioria, pretensamente feliz, não sente o menor constrangimento em se submeter. .

  • por: admin
  • Postado em: 27 de agosto de 2011 às 02:00
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2 Comentários para “Escola em crise?”

  1. kyoko kusumoto disse:

    Eu me lembro muito bem da minha professora da quarta-série primário, eu tinha muito orgulho dela. Ela era elegante,simpática e determinada em todos aspectos. Lembro da Professora D. Maria Gatto com muito carinho!

  2. JOÃO MACHADO disse:

    É isto ai padre Orivaldo,muito bem colocado! Infelizmente é a grande verdade esta mediocridade que impera, e nos faz viver num mundo de inversão dos valores. Porém não podemos perder a fé de que tudo poderá ser revertido. Pois onde há fé existe a esperança, por estas e outras devemos semear as boas semnetes e combater o bom combate.

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