
O Portal Exame publicou uma interessante entrevista no mês de Abril com o lÃder das operações do McDonald’s na América do Sul, Woods Staton. Staton respondeu a algumas perguntas do portal e explicou a estratégia da rede de fast-food para o mercado brasileiro, que cada vez ganha mais notoriedade. Confira!

Exame: Por que o sr. resolveu comprar o McDonald’s na América Latina em 2007, no momento em que as lojas registravam os piores Ãndices de lucratividade da rede no mundo?
Woods Staton: A companhia decidiu vender as operações na América Latina e nós achamos que era um bom negócio. Na verdade, achamos que tinha muito espaço para ganhar eficiência operacional. Além disso, por muito tempo a companhia tinha parado de investir na América Latina e no mundo. Nós estávamos dispostos a acreditar na América Latina e no Brasil. Temos crescido e aberto lojas.
Exame: Mesmo em uma época de preocupação com a qualidade da alimentação e de vida, o McDonald’s bateu recorde de lucro na América Latina e de expansão no Brasil. Por que isso ocorre?
Staton: Sempre tivemos comida de boa qualidade e cuidamos muito dos produtos. Às vezes somos criticados, mas as pessoas visitam uma loja do McDonald´s, em média, 1,8 vezes ao mês. Se você vai comer uma vez ao mês ou duas não terá problemas de saúde porque comeu conosco. E tudo que vendemos é de alta qualidade. Além disso, cada vez mais temos produtos com pouco sal, estamos com opções mais saudáveis para crianças – sucos em vez de refrigerantes, saladas, milho verde etc.
Exame: É uma espécie de adaptação a essa era da alimentação saudável?
Staton: Não é uma adaptação a nenhuma ditadura. É uma adaptação ao que o freguês está pedindo. Cada vez mais você vê águas com sabor, produtos com sucos. Estamos colocando esses produtos ao alcance do cliente. Em toda história há modificações nos hábitos e nós estamos acompanhando. Por isso mesmo, investimos nos McCafés. As pessoas querem, cada vez mais, lugares para sentar e ficar tranqüilos. Nós oferecemos isso.
Exame: Este ano, vocês irão abrir a loja de número 600 no Brasil. Em 2009, chegaram a cidades do sertão, como Caruaru (PE). Que clientes estão procurando?
Staton: Especialmente no interior do paÃs, há cidades que vão crescer e ser pólos econômicos importantes. Nós temos que estar ali. Na medida em que o Brasil cresce e a classe média cresce, com uma melhor distribuição de riqueza, cada vez mais temos o público que estamos procurando.
Exame: Que público é esse?
Staton: Nosso público são as pessoas que pertencem às cidades, que têm pouco tempo para comer. Esse estilo de vida e dinâmica nas cidades são bons para nós. É uma mistura entre o hábito de consumo, falta de tempo e também ter um carro para passar pelo drive-thru.
Exame: Como as cidades do interior se encaixam nesse perfil?
Staton: Temos um plano diretor para os próximos cinco anos para entrar nessas cidades. Claramente, elas serão uma parte muito importante de nosso negócio. Vamos seguir o crescimento grande do Brasil, de cerca de duas unidades por semana. Temos muita confiança no Brasil e queremos ser parte desse crescimento. Nós somos seguidores de onde vai o público. Se são abertos novos shoppings, colégios, bairros, isso é interessante, e nós vamos para satisfazer uma necessidade desse conjunto de gente.
Exame: Durante a crise da Argentina, no começo dos anos 2000, o sr. conseguiu um crescimento nas vendas, com promoções para taxistas, por exemplo. Qual a importância da nova classe C nos resultados no Brasil e em outros locais da América Latina?
Staton: A classe C está entrando na economia, passa a ter poupança, famÃlia, encaram uma vida profissional e tem dinheiro a gastar. Foi justamente nesse mercado que o McDonald´s começou, nos Estados Unidos. Na época que tentamos vender para as classes D e E não funcionou, porque as lojas eram menores e não tinham o menu inteiro. O McDonald´s é uma loja aspiracional.
Exame: O que é uma marca aspiracional?
Staton: Veja, por exemplo, a Venezuela. Há muita gente entrando no consumo agora, têm emprego, são jovens. Eles não têm dinheiro para ir a Miami, comprar uma geladeira ou um forno novo, uma TV nova. Mas têm dinheiro para ir ao cinema e sair para jantar. Eles vão ao McDonald´s, porque é um ambiente moderno, americano, é diferente, tem pessoas simpáticas. É aspiracional. Eu tenho ouvido isso, é como ir a Miami.
Exame: Os EUA passam por uma forte onda de publicidade contra fast food e pela qualidade de vida. O chef Jamie Oliver vai iniciar um reality show na cidade mais gorda da América. Com o aumento da preocupação nos EUA e Europa com a qualidade de vida, a América Latina se torna um mercado cada vez mais atrativo para as redes de fast food?
Staton: Não vejo uma onda nos Estados Unidos e sim uma consciência de que tem que ter uma vida muito mais ativa. Nos Estados Unidos, eu sei que os orçamentos dos colégios estão sendo cortados e algumas das coisas que estão sendo eliminadas são os recreios, professores de educação fÃsica e treinadores. O que acontece é que as crianças acabam as aulas, vão para casa e ficam vendo desenhos animados em casa. É um estilo de vida. O que temos que fazer, e nós vamos fazer parte desse processo, é convencer as pessoas de que o bem-estar, necessariamente, inclui uma vida ativa. Fazer exercÃcio é bom e absolutamente necessário. Por isso mesmo,temos campanha para ensinar as pessoas a ter uma vida balanceada. Não estamos fazendo o suficiente, teremos que fazer mais. No papel das bandejas, temos o conteúdo das calorias, sódio, gordura saturada etc. E vamos explicar os ganhos de exercÃcios.
Exame: O sr. passou mais de 20 anos mergulhado no chamado “Sistema McDonald’s”. O que o sr. Destaca neste perÃodo?
Staton: Eu passei um ano nos EUA e comecei nos restaurantes, limpando banheiro, cozinhando, atendendo no balcão, fazendo estocagem de noite, de manhã. Fiz todos os estágios que todo mundo faz. Isso é bom porque, quando você vai numa loja, todo mundo tem uma lÃngua comum. Se você fala que o banheiro precisa ser limpo, todo mundo sabe exatamente quais os padrões a ser adotados.
Exame: O sr. falou que, em média, as pessoas vão 1,8 vezes por mês ao McDonald´s. Quantas vezes por semana o sr. consome um de seus produtos?
Staton: Todos os dias. Mas pratico esportes todos os dias também. Uma hora de caminhada ou 40 minutos de musculação.As pessoas falam do filme Supersize Me [documentário de 2004, no qual o cineasta Morgan Spurlock segue uma dieta de 30 dias comendo exclusivamente no McDonald's]. Ele sentou e comeu 6 mil calorias por dia, mas não fez exercÃcio nenhum. Obviamente, engordou. Eles usam McDonald´s como ponta de lança, o que não é correto.Um banqueiro na SuÃça fez a mesma coisa, comeu em uma loja do McDonald´s todos os dias, mas fez exercÃcios. Além disso, ele comeu salada, comeu à s vezes cheesburguer, à s vezes Big Mac, à s vezes suco.
O Publistorm viu em: http://portalexame.abril.com.br
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