TopoPadraoOdiario

Wilame Prado

Publicidade

Aprender a aprender com da Vinci e Nailor

O professor de literatura Nailor Marques Jr., conhecido por grande parte dos maringaenses e agora ainda mais requisitado após brilhante entrevista concedida ao Jô Soares recentemente, continua sendo porreta.

Ontem, lotou uma sala daquelas gigantescas de cursinho, lá no Colégio Nobel. Assunto: “Aprender a Aprender com Leonardo da Vinci”. A moçada que tenta vestibular se fez maioria. E deve ter mesmo aprendido a aprender com os aprendizados do gênio da Vinci e com o perspicaz Nailor.

O que me chama a atenção nos textos sempre muito bem falados por Nailor é a sua capacidade de convencimento, utilizando-se de um humor válido e, acima de tudo, de muito conhecimento. O professor parece ter nascido com o dom da oratória, consegue passar a mensagem. Mas, como todos sabem, de nada adianta o meio ou a forma se não há conteúdo. Nailor tem. E, como um experiente cronista, tece sua fala misturando conteúdo, humor e cotidiano. Até o chato do Jô não conseguiu interrompê-lo em meio às coisas legais que parece sempre ter a dizer.

Quem, há mais de décadas, acompanha as palestras do professor (e conheço muita gente que até já decorou as falas dele), declara-se sempre muito agradecido pelos ensinamentos obtidos. Eu, que fui pela primeira vez em sua palestra e pude trocar emails e perguntas em entrevistas para o jornal, hoje posso dizer também que é muito válido assistir sua performance ou trocar ideias com ele.

Nailor joga no meu time e de muitos leitores daqui. Bate palmas para o conhecimento, declara-se apaixonado pelos estudos, pelo conhecimento, e nem por isso se diz um nerd. O “jeitinho brasileiro”, o “deixa a vida me levar”, o “que pensa que é bonito ser feio” são abominados pelo professor.

Chega mesmo a parecer algo arrogante quando ele defende aqueles que buscam sempre o aperfeiçoamento, o constante aprendizado, a constante busca pelo melhor, e isso sem se tornar um ‘chatonildo’ viciado em pensamento positivo, em livro de autoajuda. Mas não é arrogância não. É afirmação. É uma voz solitária, mas que vem sendo cada vez mais ouvida por essas bandas, que afirma o quanto é bacana ler, estudar, saber e se tornar melhor dentro de casa, dentro do trabalho, em qualquer lugar.

Sobre leitura, imprensa e outras questões de Borges

“Ele me disse:

- Agora você vai ver uma coisa que nunca viu.

Estendeu-me com cuidado um exemplar da Utopia de More, impresso na Basileia em 1518, no qual faltavam folhas e lâminas.

Não sem fatuidade repliquei:

- É um livro impresso. Em casa haverá mais de dois mil, embora não tão antigos nem tão preciosos.

Li em voz alta o título.

O outro riu.

-Ninguém consegue ler dois mil livros. Nos quatro séculos que vivo não terei passado de meia dúzia. Além disso, não é importante ler, mas reler. A imprensa, agora abolida, foi um dos piores males do homem, já que tendeu a multiplicar até a vertigem textos desnecessários.

-No meu curioso ontem – respondi -, prevalecia a superstição de que entre cada tarde e cada manhã acontecem fatos que é uma vergonha ignorar. O planeta estava povoado de espectros coletivos, o Canadá, o Brasil, o Congo Suíço e o Mercado Comum. Quase ninguém conhecia a história prévia daqueles entes platônicos, mas, sim, os mais ínfimos pormenores do último congresso de pedagogos, a iminente ruptura de relações e as mensagens que os presidentes mandavam, elaboradas pelo secretário do secretário com a prudente imprecisão que era própria do gênero.

Tudo isso era lido para o esquecimento, porque em poucas horas era apagado por outras trivialidades”….

…”As imagens e a letra impressa eram mais reais que as coisas. Somente o publicado era verdadeiro. Esse este percipi (ser é ser percebido) era o princípio, o meio e o fim de nosso singular conceito do mundo. No ontem que me tocou, as pessoas eram ingênuas; acreditavam que uma mercadoria era boa porque assim o afirmava e repetia o seu próprio fabricante. Também eram frequentes os roubos, embora ninguém ignorasse que a posse de dinheiro não dá maior felicidade nem maior tranquilidade”.

*Trechos do conto “Utopia de um homem que está cansado”, extraído do “Livro de Areia” (Coleção Folha, página 72), de Jorge Luis Borges. Não dá nem para comentar a lucidez dessas palavras de Borges. O próprio, no epílogo do livro, escreveu: “‘Utopia de um homem que está canasado’ é, a meu ver, a peça mais honesta e melancólica da série”. Um dos melhores contos que já li. Recomendo!

O caminho para lugar nenhum da dor

O homem não é nada quando enfermo. Não pisa firme. Infirmu. Em latim ou em português, a dor é sempre cruel. Não tem afirmação nenhuma. Não consegue ser ele mesmo. E nem se reconhece em frente ao espelho. O homem com dor, seja a dor física ou psíquica, perde seus poderes e não serve nem para anti-herói. A dor dói doída. Redundâncias poderiam explicar a dor?

Enganam-se aqueles que pensam que apenas os recém-nascidos não conseguem explicar a dor porque ainda não pronunciam palavra. Afinal, que palavra há para explicar uma dor? Pode-se engolir um dicionário e ainda assim o homem nunca saberá explicar a dor. Pode até dizer onde é a região do sofrimento, onde é que arde, comprime, espreme, queima, fode. A dor fode com a gente. Mas não se pode traduzir em palavra a quantidade do sofrimento que aquela dor está impondo ao reles ser humano, que neste momento não passa de uma criança, de um indefeso, de um vegetal, de um mórbido, de um rato que está prestes a morrer no laboratório.

São nos momentos das dores que as igrejas começam a lotar e que os livros de autoajuda são rapidamente esvaziados das livrarias. E não tiro a razão do homem que, no auge da dor, no auge da insanidade causada pelo sofrimento, pensou que o que lhe restava eram as orações, as mandingas, as preces, as leituras aceleradas e fugazes. Eu mesmo, neste momento, em meio a tantas dores, aprendi a pedir para as questões metafísicas melhoras, alívios imediatos, pelo menos uma trégua com o monstro da dor.

A dor é um monstro implacável, sanguinário e que se alimenta das entranhas do homem. Come as paredes do estômago, os neurônios do cérebro e a metragem da carne sob a pele. Rasga pelos, tecidos e até armaduras de ouro. A dor não respeita ninguém, nem mesmo idade. É democrática a dor: vem para o negro, branco, índio e até para o milionário. Quando chega, a dor tira a paz e promove uma estrada de mão dupla com caminhos sempre negativos: o caminho do ódio ou o caminho da autolamentação. Mesmo optando por qualquer um dos caminhos, ou de repente encontrando atalhos em analgésicos com prazos curtos de eficácia, quem está no caminho da dor nunca chega a lugar algum.

Na dor, tudo é derrota e não adianta chorar, suplicar ou chutar, raivoso, o pé da cama. Resta apenas esperar e tentar não se deixar entregar pela vertigem e até mesmo pela alucinação que só as dores podem causar.

Talvez há, na dor, um único benefício para o homem fraco: a capacidade de, no próximo dia, no próximo alvorecer, no próximo amanhecer, no próximo mês ou na próxima vida saber valorizar o momento em que a dor resolver passar. É nesse instante mágico que, após a recomposição de todas as forças sugadas pela malfadada dor, o homem finalmente acorda revigorado e pronto para encarar a vida enxergando flores nascendo até em meio ao asfalto, sentindo melhor o gosto do mel e do leite na boca e caminhando com passadas mais firmes, porém tranquilas, para o caminho rotineiro e certeiro, sabendo que, se contar com um pouco mais de sorte nesta vida para não ser acometido pelas enfermidades, pelas dores cretinas, nada poderá impedi-lo de encontrar, se não a felicidade, pelo menos momentos felizes e muita serenidade ao lado das pessoas que o amam reciprocamente.

O inesquecível Detran

O Detran e seus serviços conseguem ser inesquecíveis na vida de um ser humano, pelo menos o humano brasileiro. Maringá, cidade que aniversaria, não merece o Detran que tem. Ninguém merece, afinal de contas.

Quer sentir a impotência diante da burocracia burra? É la no Detran. Sabem do que estou falando quem precisou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou resolver algum perrengue com o órgão que trata das coisas do trânsito – esse ingrato.

Como eu, muitos esperam até o última migalha do tempo hábil para renovar a carteira. Para tal, não basta apenas chegar a data de vencimento do documento mas sim esperar os 30 dias restantes da prorrogação. É no último dia que se costuma renovar a bendita. Por ser o último, é agora ou nunca, é viver ou morrer. E não adianta olhar para a fila, desanimar e ‘deixe estar’. Já era o tempo, amigo. É você e o leão dentro da jaula 2 x 2m.

É quando o cidadão que precisa de permissão para sair pilotando motos ou dirigir carros 1.0 comprados em 60x respira fundo e pede pra mocinha bonita uma senha. 47. Só pode ser brincadeira! Cheguei às 9h. Como, em menos de uma hora, 47 pessoas já conseguiram pegar uma senha antes de mim? Só pode ser aleatório. Sendo ou não, só Borges mesmo para consolar na leitura que acalenta um pouco a ansiedade da espera sentado em uma cadeirinha desconfortável do Detran.

Poderia descer parágrafos adoidados só falando de fila hoje. É que isso nem os amigos costumam acreditar. Só vendo pra crer, pode dizer alguns. Mas, pasmem: são umas quatro, cinco filas antes de o processo para a renovação da CNH ser finalizado. É a fila para dizer que você quer renovar, a fila para pagar a taxa que ultrapassa R$ 100, a fila para tirar a foto e passar as digitais num treco que marca as digitais, fila para marcar um horário com uma clínica especializada que fará exame de vista e finalmente fila para fazer o exame de vista. Um dia pode ser pouco para tal. Tem gente que deixa para renovar carteira nas férias. Não tive esse luxo. Precisei chegar atrasado no trabalho. E sair mais cedo também, naquele dia.

Bom: pelo menos a foto até que ficou decente. E desta vez o médico oftalmologista (dizem que em algumas cidades um ortopedista é quem faz o exame) do Detran não me considerou um sujeito de visão monocular. Quem é que enxerga naquela parafernalha velha, suja e enferrujada do Detran que dizem medir sua capacidade de visão? Enfim. Agora já não é mais no Detran que se faz o teste da visão. São em clínicas autorizadas. Para mim, amigo do amigo do amigo que resolve abrir uma pseudo-clínica só para também mamar na teta do Detran. No fim, farinha do mesmo saco: horrível prestação de serviço.

A noite caía e a fila aumentava naquela pseudo-clínica autorizada que fica na zona 02 de Maringá. A atendente, que demonstrava não ter noções básicas de informática, debatia-se com o programa do Detran na tela. O dr. precisou parar de ‘doutorar’ para ver se conseguia ‘operar’ a máquina do PC. Que nada. Apelou-se para a canetada. Próximo: sou eu! Ufa! Finalmente a novela do Detran acabou. Vou enxergar as letrinhas no maquinário e garantir cinco anos de direção segura e defensiva. Lorota. Dia errado. O Detran é mesmo inesquecível.

O dotô disse para mim que preciso ir ao médico e que não enxergo nada. Foi quando fiquei bravo. O Detran não vai me passar para trás de novo, pensei, cheio de razão. Assim como o valente que tira para fora da bainha a faca, tirei violentamente do meu bolso uma carta-recomendação do meu dr. oficial, o grande e honesto oftalmologista Valdir Ishida, confirmando que o paciente “W…” tinha se consultado recentemente e atualizado o grau dos óculos. Esperto que só, o dr. autorizado do Detran imediatamente fez alguma mágica no maquinário e, de uma hora para outra, o cara aqui passa a enxergar as letrinhas no maquinário maldito. “Você que não encostou o rosto direito, patrão. Se cuida hein. Em uma semana sua carteira chega no endereço”, disse o sem-vergonha. Corri dali. Agora, Detran e eu só daqui cinco anos.

Lamentações dos dois irmãos no dia de Páscoa

Conversavam como velhos amigos embora fossem irmãos, tão velhos como as feridas de suas pernas, que não os deixam em paz. Coçam, chamam a atenção e pedem até mesmo para que eles às vezes manquem. O sentido da Páscoa não foi tema recorrente, pareciam que viviam naquelas poucas horas de uma tarde abafada de domingo entre o céu e a terra, quase que crucificados pelo tédio da vida. E pelas coceiras das pernas.

Ninguém se lembrou de Jesus Cristo em um raio de 500 quilômetros da onde os dois estavam. Mas, de repente, talvez pela força da mídia, talvez pela embriaguez de tanto chocolate derretido e Kaiser quente, os que se foram, e não ressuscitaram como Ele, invadiram o pensamento dos dois.

E aquilo tudo era uma injustiça das mais sujas possíveis: dois velhos com feridas nas pernas sozinhos porque os queridos já se foram e eles simplesmente não tinham coragem de apontar uma arma para a testa. Nem arma e nem força nos dedos tinham para puxar o gatilho também.

Ao final da tarde, quando finalmente uma chuva de se criar fungos nos pés refrescou um pouco aquele fim de tarde de um domingo deprimente de Páscoa, o telefone verde, antigo e pouco usado da sala tocou: eram notícias ruins de São Paulo. Mas isso eles já sabiam quando ouviram o som produzido pelo maldito telefone, que só tocava quando do outro da linha alguém com a voz baixa e encabulada iria anunciar mais uma morte anunciada.

Paulo morreu exatamente ao meio-dia daquele domingo de Páscoa, talvez no exato momento em que um dos seus irmãos velhos coçava algumas das feridas nas pernas debaixo de um teto de amianto quente e nada convidativo. E mais uma vez um ente querido iria embora do mundo e não ressuscitaria.

Graças a Deus, o sono veio rápido  e os velhos morreram algumas horas também, só que ainda podendo sonhar ou ter pesadelos. O início da manhã daquela segunda-feira só não foi mais triste e totalmente pesado porque os irmãos pelo menos ainda tinham um ao outro. E a vida continuava: um coava o café e o outro dava ração para o vira-lata. Mas precisavam ser rápidos: o ônibus para São Paulo sairia às 10h da rodoviária daquele lugarejo onde, em milhares de anos, os dois tinham a certeza de que poucos deixariam de pensar no feriado e no chocolate no dia de Páscoa e que nenhum dos seus entes queridos poderia renascer depois da morte.

Primeiras porradas

Um teste apenas. Paciência. Um dia tudo voltará ao normal (algum dia foi?), pensa Horácio. A vida é um teste? Então por que parece nunca estar pronto para o grande dia, o dia da apresentação, do espetáculo, da peça infantil que seu pai esqueceu de estar presente, do jogo da final que seu time nunca chegou, da hora do mergulho na piscina grande do Ibirapuera que você adiou para sempre, da hora H, do dia D, do dia do fico, do dia do bota-fora, da despedida, do beijo, do soco, do grito, do silêncio?

Silenciado, paciente e nunca pronto para o que der e vier, de nada adianta, Horácio, rodear o quarteirão um milhão de vezes para ver se a coragem chega. Nem de avião, muito menos de bicicleta Monark, a coragem chega aos perdedores.

A maneira mais confortável de ser um derrotado quase conformado com tudo, considera ele, é criticando aqueles que venceram, aqueles que ganharam o primeiro milhão, que aprenderam muito com os livros de autoajuda, que descobriram “O Segredo”, que pularam cedo da cama e, com os colhões que Deus lhe deu, resolveram conquistar o mundo, ainda que com um ou outro ansiolítico agindo bem pela corrente sanguínea.

Para abrir uma padaria é preciso coragem. Para abrir caminho no meio da mata fechada é preciso coragem. Pouca ou nenhuma coragem é necessária para se ficar deitado na cama de olhos abertos esperando a vida passar, e infelizmente fazendo o que é preciso fazer. Lembre-se bem, cara!

Mas não tem outro jeito, algumas regras são impostas, o que ele lamenta: escovar os dentes, tomar banho, comer, beber água e trabalhar. Mas o pior de tudo é a obrigação de ter de conviver, de ter de conversar com pessoas que considera cretinas, ou até mesmo com pessoas que ama, mas que simplesmente já não conseguem fazê-lo feliz.

Pensando bem, pondera, os derrotados também têm um pouco de coragem, caso contrário nunca mais veriam a luz do sol.

Talvez fosse melhor ter sido uma pessoa pior, pode pensar Horácio. Durante todos esses anos, ter partido pra briga, ter dado porrada, ter tido coragem (será que escolhemos isso?), faria dele um vencedor. Mas nunca é tarde para tentar – poderá dizer principalmente quem aprendeu isso sentado nos bancos de uma igreja, assistindo uma comédia romântica, vendo palestras que nunca dizem nada ou lendo um livro estúpido. Mas é verdade mesmo: talvez tenha mesmo chegado a hora de dar porrada, homem!

Apreciando cada dia mais o poder de um som pesado e sentindo cada vez mais o pulsar das veias em sintonia com o ar puxado propositalmente com força para dentro dos pulmões, as primeiras porradas bem dadas na vida de Horácio, um quase ex-derrotado, foi consertar a postura e nunca mais andar de cabeça baixa, a não ser dentro dos shoppings da pequena cidade para não correr o risco de ter de cumprimentar os sempre chatos que um dia teve o prazer de conhecer muito superficialmente mas o suficiente para decretar que são desprezivelmente vencedores.

Vivemos na era do Datena

 É melhor ter um gato do que ter macacos em casa. Acordei aliviado de sonhos intranquilos e mais calmo fiquei quando percebi que estava de volta à vida real – com um gato miando no quarto pela manhã e não com macaquinhos ligeiros rodeando meu pescoço. Foi ruim a sensação de traição: o dono sendo atacado pelo bicho de estimação. No sonho o macaco, de um salto (quanta habilidade!), vai do chão direto para a minha cara e morde meu nariz. Doeu pra caramba, pelo menos em sonho. Se alguém quer uma dica para a jogatina ilegal diária: é macaco na cabeça!

Tenho visto muitos ataques sanguinolentos, e talvez isso tenha me impressionado. O vídeo em que mostra um pitbull quase arrancando o braço inteiro do dono, em uma batalha utópica entre o senhor e o cão em um chão de quintal que mais parece uma piscina de sangue, é forte. Vivemos na era do Datena: “ibagens, ibagens, me dá ibagens”. Todos querem fazer uma imagem, uma foto, um vídeo, ser o cidadão-repórter.

Lá no jornal recebemos diariamente informações importantes e que rendem reportagens vindas de pessoas que, com uma boa vontade inexplicável, perdem alguns minutos do seu dia para dedurar um cara que deixou animais soltos na pista ou então pedindo email para mandar as fotos que ele, bravamente, conseguiu capturar de um acidente de trânsito. E tudo isso é muito bacana.

O que me revolta, nessa história toda envolvendo sangue, cachorros, macacos e “ibagens” é a falta de ética do marceneiro, ou seja a boa e velha ética que todos deveríamos ter. Gostaria de saber se o autor do vídeo sanguinário mostrando o pitbull (com sede de vingança ou seguindo um instinto animal?) moendo o velho dono recebeu um realzinho sequer pelas inéditas e sensacionais imagens produzidas. Isso me fez lembrar a história do fotógrafo chinês que, para conseguir uma foto de um ciclista se acidentando, deixa camuflada uma cratera que há na pista e se posiciona para não perder o instante ideal do clique flagrante.

Por ter entrevistado a mulher do senhor que quase perdeu o braço com o ataque do cão e também uma vizinha, que aparece no vídeo desesperada tentando fazer alguma coisa, posso confirmar aos leitores que o autor do vídeo ganhou, pelo menos, a antipatia de muita gente, inclusive a minha. Segundo relato dos envolvidos, o cara simplesmente ignorou todos os pedidos, todas as súplicas, todas as clemências, para que fizesse algo de produtivo e que pudesse quem sabe coibir o ataque voraz daquele cão.

Ao contrário, o sujeito, que inclusive mereceria um emprego no Datena (as “ibagens” dele nem tremem em meio àquele desespero todo), faz questão de permanecer ali para não perder um detalhe sequer daquele “fato”. Obviamente que ninguém estava pedindo para ele dar uma de Super-Homem e ter se achegado no ringue empoçado de sangue para iniciar uma “vias de fato” com o dog. Era só ter tentado ajudar, sei lá como: correndo atrás de uma faca, ligando no 190, fazendo uma oração ou pelo menos chamando o cachorro “vem, vem, vem, vem, cãozinho, vem, vem, vem”. Nem isso. Macacos me mordam viu!

*Crônica publicada dia desses no D+ – caderno de cultura do Diário de Maringá.

A boa da semana: Ovomaltine de caixinha

Já até pensei em criar um blog falando só sobre os produtos que levam a marca Ovomaltine. Paixão antiga, de criança. Tem o sorvete de Mc, o milk-shake do Bob´s, ovo de páscoa e o achocolatado que deixa aquelas bolinhas de chocolate crocantes em cima do leite. O único produto que eu não gostei do Ovomaltine foi uma potinho contendo uma pasta cremosa de avelã (tipo Nutella) sabor Ovomaltine. Cara, tinha gosto de manteiga, ruim pra caramba!

Mas eis que, via email, chega-me o release com a melhor notícia da semana: agora tem Ovomaltine de caixinha de 180ml, tipo Todynho. Bom também! Segundo a assessoria de imprensa dos caras, além do sabor único de Ovomaltine, a caixinha traz 180 ml do produto enriquecido com 10 vitaminas e quatro minerais – Ferro, Zinco, Iodo e Manganês. Bacana hein!

E tem mais: “A tecnologia das embalagens cartonadas da Tetra Pak mantém os produtos frescos, saborosos e nutritivos, sem a necessidade de refrigeração. A praticidade da embalagem também é ideal para o público infantil, já que pode ser levada para qualquer lugar”. Anotou, mãe que está preparando a lancheira do filho?

A bebida, ainda de acordo com o release, é para um público-alvo de crianças entre 4 e 10 anos. Portanto, se assim como eu, tens 11 anos ou mais de idade, não pega bem sair por aí tomando Ovomaltine de caixinha no meio da rua? Uma ova! Leia mais: “o produto também é lançado como opção para jovens e adultos que querem uma bebida láctea saborosa e que os acompanhe na rotina agitada, com sabor muito próximo ao de Ovomaltine misturado ao leite” – ufa!

Mais sobre a fórmula especial do Ovomaltine
Para chegar à fórmula especial, desenvolvida com exclusividade para atender ao paladar do brasileiro, foram realizadas pesquisas junto a consumidores e o resultado não poderia ser melhor: a aceitação do público surpreendeu com 83% dos consumidores mostrando intenção de compra após experimentarem o Ovomaltine pronto para beber.

A pesquisa foi realizada com crianças e mães de São Paulo – as mães relataram o que mais agradou: “além do sabor único de Ovomaltine, o fato de o produto ter 10 vitaminas e quatro minerais”.

“Ovomaltine é uma marca que possui grande versatilidade e isso possibilita sua penetração em diversas categorias. O ‘Ovomaltine na caixinha’ representa uma extensão natural para a marca, já que agora vamos oferecer nosso principal produto de uma maneira mais conveniente, pronto para beber”, ressalta Daniela Paula, Diretora de Marketing de Ovomaltine para Mercados Internacionais.

Desde 1904 fazendo a alegria da molecada
Ovomaltine foi criado no ano de 1904 em Berna, na Suíça, pelo Dr. Albert Wander. A partir do extrato do malte, ele desenvolveu um complemento alimentar para as crianças que tinham carência nutricional. Nomeou então o produto de Ovomaltine, uma combinação dos termos “ovum” (ovo, em latim) e “malt” (malte, em francês).

Em poucos anos, o diferenciado sabor do malte e valor nutritivo fizeram com que o produto se espalhasse por todo o mundo. Atualmente Ovomaltine pertence à Associated British Food (ABF), uma das maiores companhias alimentícias da Europa.

Filme que realmente dá um nó na garganta

Eu conheci o diabo na terra assistindo as peripécias de Francis Brady (Eamonn Owens), o menino demoníaco de 11 anos protagonista do filme “Nó na Garganta” (The Butcher Boy, Irlanda/Inglaterra/EUA, 1997).

Filmaço. Forte, nada previsível e que traça de maneira fantasiadamente crua a história de alguém que sofre na infância com um pai bêbado, uma mãe doida e, mais do que tudo isso, o abandono de seu único e verdadeiro amigo Joe (Alan Boyle). Perder um amigo é foda. Perder o único amigo é mais foda do que ter um pai bêbado e uma mãe doida.

Certamente o genioso Francis encontra um inimigo para toda a desgraça que é sua vida. E vê como responsável pela merda toda a burguesa senhora Nugent, mãe de um nerd que não se mistura com a ralé. E como Francis é mal. Não o chamem de porco, que ele encarna! Quando vira ajudante de açougueiro, aprende a manusear a faca e o machado. Sanguinário e amigo dos porcos, um porco!

Os costumes religiosos, as revoltas juvenis, os padres pedófilos e outros detalhes do filme lembram muito as descrições literárias de John Fante, em seus livros confessionais onde narra os dramas de Arturo Bandini, um descendente de italiano vivendo as décadas de 1920 e 1930 nos EUA. “Nó na garganta”, porém, passa-se na Irlanda, grande parte em um pequeno vilarejo rural. Filme bom e, por isso mesmo, muito triste.

Neymar salva o espetáculo

Como eu sempre falo: título é consequência, o bacana do futebol é o poder de entretenimento, o de passar 90 minutos assistindo um bom jogo de bola.

E mais uma vez Neymar salvou o espetáculo em jogo entre Santos e Botafogo-SP, na noite desta quinta-feira (9).

Os corintianos ao meu lado, na lanchonete da quadra onde jogamos bola, estavam contentes. Palmeirenses mandavam mensagem zoando o Neymar. E já ultrapassavam os 30 minutos do segundo tempo e o Santos continuava sem encaixar um bom ataque, perdendo por 1 x 0.

Mas a magia e o bom futebol voltaram a reinar. Igual ao centésimo gol, o de número 101 do Neymar foi de cabeça, em cruzamento feito por Ganso. Desequilibrou! Logo em seguida um pênalti bem batido e, depois, show. É só ver os vídeos no youtube dos outros dois golaços. Final: Santos 4 x 1 Botafogo.

Os corintianos ficaram quietos e tentaram criticar minha camisa, criticar minha alegria, criticar o cabelo do Neymar. Os palmeirenses foram dormir magoados, celulares desligados. E a nação santista fechou a noite novamente sentindo prazer em assistir a uma partida de futebol.

Ps.* Tenho percebido que muitos corintianos e palmeirenses assistem mais aos jogos do Santos do que os dos próprios times que torcem. Eles gostam mesmo é de criticar e não de se divertirem assistindo a um bom jogo de bola. Talvez seja pelo fato de que os times pelos quais torcem nem sempre fazem partidas prazerosas de se assistir.

Quem quer um poodle bonitão?

Lindo e dócil mestiço poodle, porte pequeno, bem branquinho, com 2 anos em média. Estava abandonado em um matagal. Saudável e vacinado. Quem quer levar pra casa? Fale com a Simone no 9911-7993.

Brasil só funciona quando começa o futebol

A vida voltou ao normal.

Tem futebol passando na tv, sendo jogado nos estádios.

As velhas, tolas e óbvias discussões entre torcedores rivais prosseguem.

A vida voltou ao normal.

O Brasil volta a respirar.

É mentira quem diz que o País só volta a funcionar depois do carnaval.

O Brasil só acontece com o apito do árbitro.

E não tem nada a ver esse negócio de copinha sp.

O negócio começa mesmo com os estaduais e, principalmente, com a emocionante Libertadores da América – onde os fracos não têm vez.

Ah, e tem uma galera também que precisa se contentar com a Copa do Brasil.

Bola rolando. Segue o jogo.

Poucas mudanças no uniforme Nike do Santos

  • por: Wilame Prado
  • Postado em: 3 de fevereiro de 2012 às 13:51
  • Categorias: Fatos
  • tags:

Nike deve anunciar hoje novo uniforme do Santos

A empresa fornecedora de produtos esportivos pode divulgar nesta sexta-feira (03) o novo uniforme do Santos Futebol Clube, que encerrou contrato com a Umbro. Mesmo assim, o alvinegro praiano deverá estrear o novo manto só em março.

Enquanto isso, rolam soltas as especulações de como serão os três novos uniformes do Peixe, que, este ano, em homenagem ao Centenário do clube, ganha uma terceira camisa na cor azul turquesa. Abaixo, uma das especulações de como ficaria o primeiro uniforme do Santos, que teria como detalhe o escrito “Octa”:

Cup Noodles: explosão de sódio na boca!

 

Cup Noodles sabor Bolonhesa Cremoso: uma explosão de sódio na sua boca! 1.565 mg de sódio em uma porção de 68 gramas (um copo)!

Uma boa opção para um almoço completo num começo de tarde de uma quarta-feira de final de ano. Só cuidado: a água fervente colocada no potinho plástico pode queimar o seu dedo! Eu mesmo comprovei hoje!

 

Wilame Prado

odiario.com 2010 - 2012 © Todos os direitos reservados à Editora Central Ltda.