• Gol de placa para a esperança

  • Fábio Castaldelli
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Assentar lajotas. Bater massa. Rebocar paredes. Trabalhar na construção civil é uma profissão que exige labuta e transpiração. É depois de conviver um dia intenso nessa rotina, que a maioria dos trabalhadores se entrega, merecidamente, a uma boa noite de descanso e de sossego com a família.

No entanto, não é isso que faz Edmilson Timóteo dos Santos, de 58 anos, um especialista em levantar lares de concreto e que traz para crianças do bairro Esperança de Sarandi uma outra casa - esta, construída comdedicação e solidariedade.

Santos é um exemplo de como o trabalho voluntário não tem barreiras. Mesmo com a exigente profissão de pedreiro, ele arruma tempo para as atividades da escolinha de futsal com as crianças do bairro onde mora e que estudam na Escola Municipal Ayres Aniceto de Andrade, em Sarandi.

Ele explica que o trabalho com a "molecada" era um sonho antigo e que aos poucos foi ganhando traços de realidade.

Edmilson é artilheiro da solidariedade

"Comecei com o projeto convocando os interessados para participarem da escolinha. Os resultados foram aparecendo devagar. Hoje, todo mundo gosta e quer participar".

Realmente os resultados foram bons, tanto que o projeto já está chegando ao seu décimo ano e atende, atualmente, cerca de 35 crianças.

 

"Com garra e vontade de ajudar o próximo tudo é possível. Não há dinheiro nenhum no mundo que compre esta satisfação", diz.

O projeto é direcionado para crianças de sete a 13 anos que, nas segundas e quartas-feiras, entre 18 e 20 horas, são reunidas na quadra da escola para treinar os fundamentos do futsal.

Porém, os benefícios desta iniciativa vão além de proporcionar momentos de diversão e de lazer. Segundo Santos a intenção primordial não é criar craques de bola, mas cidadãos de bem na sociedade.

De acordo com o diretor da escola onde as atividades são realizados, Paulo Cezar Florindo, toda ação social é bem-vinda e com a iniciativa da escolinha, não é diferente, uma vez que os frutos do trabalho de já estão sendo colhidos.

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"Tanto na escola como no ambiente familiar as crianças se apresentam mais tranquilas e comportadas. Isso porque elas possuem um momento específico para descarregarem as energias e aprenderem a ter disciplina", conta o diretor.

Ter bom comportamento, é, inclusive, um requisito indispensável para participar dos treinos. Florindo ressalta, que presenciou vários casos no qual o aluno, por apresentar um mau comportamento, foi afastado das atividades.

"Se o estudante não se adequa às regras estabelecidas ele fica sem treinar e depois que aprende a lição retorna normalmente às atividades da escolinha".

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