• Montagem maringaense de Shakespeare estreia em janeiro

  • Fábio Massalli
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Ivan Amorin


Ben-Hur Prado e Murilo Lazarin nos ensaios de "O Mercador

de Veneza": texto adaptado parta soar mais contemporâneo

e músicas próprias

Shakespeare está com data marcada em Maringá. A montagem maringaense de "O Mercador de Veneza" terá sua pré-estreia no dia 21 de janeiro na Oficina de Teatro da UEM. A peça ficará em cartaz numa temporada que vai até 6 de março. A perspectiva é que, depois, o espetáculo faça um circuito regional, estadual e estreie em São Paulo no mês de maio.
A adaptação do clássico escrito por William Shakespeare é uma superprodução teatral local, apesar de fazer sua pré-estreia e toda a temporada local em um teatro de médio porte. A Oficina de Teatro da UEM tem capacidade para 170 lugares.

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A peça terá em seu elenco 16 atores e cinco figurantes. Parte da trilha sonora foi composta especialmente para a peça pelo maestro, compositor e professor da UEM, Rael Toffolo. O elenco traz atores dos grupos Circo Teatro Sem Lona, Teatro Universitário de Maringá (TUM) e da Cia.

Palco, como Matheus Moscheta, Valéria Bonifácio e Murilo Lazarin. A direção é de Pedro Ochoa e a produção de Ben-Hur Prado, que também atua na peça.

Adaptação

Prado conta que a adaptação de "O Mercador de Veneza" teve como base principal o texto original em inglês escrito por Shakespeare entre 1594 e 1597, em um trabalho coletivo. "A partir desse original fizemos a adaptação e vários cortes no texto. Se montássemos o original seria uma peça com mais de três horas de duração, o que é muito longo para uma peça atualmente", diz Prado.

O texto original, lembra Prado, era muito calcado na palavra. No período de Shakespeare, essa característica era popular, mas hoje soa perigosamente erudito demais e chega a afugentar parte da plateia. "Quisemos fugir dessa pretensa erudição e aproximar Shakespeare do entendimento contemporâneo. Deixá-lo com uma linguagem mais contemporânea", diz.

Trilha sonora

A direção musical da montagem maringaense de "O Mercador de Veneza" é assinada por Rael Toffolo, maestro, compositor e professor da UEM. A trilha traz algumas composições originais de Toffolo e arranjos assinados por ele para peças medievais e da Renascença.

Toffolo explica que as músicas da Renascença aparecem em cenas que retratam situações domésticas. "Tentamos mostrar algo que era comum na época. Muitas famílias italianas ricas tinham músicos particulares que tocavam dentro de suas casas para entretê-los", explicou.

Já as canções medievais servem de trilha para o tradicional carnaval de rua de Veneza. Em algumas cenas, em ambos os casos, os atores tocam instrumentos típicos medievais e cantam. "O Pedro (Ochoa, diretor do espetáculo) queria que a música fosse um personagem na própria peça, por isso, em algumas situações, ela trabalha junto com o off", diz.

Sobre as músicas feitas para o espetáculo, Toffolo explica que são inspiradas em John Dowland, compositor inglês renascentista e que foi contemporâneo de Shakespeare. Toffolo compôs três músicas que são apresentadas no espetáculo, além do 5º ato, que é todo musicado.

"A peça em si vai até o julgamento, já o 5º ato é só uma amarração das histórias de amor. Para deixá-lo com um clima de romantismo elizabetano, fizemos inteiro musicado, deixando um contraponto a toda tensão do julgamento do 4º ato", diz.

"O Mercador de Veneza" está atualmente em fase de ajustes. O elenco e produção têm uma oportunidade que raramente as companhias de teatro têm antes de estrear um espetáculo: podem ensaiar e fazer os ajustes finais no mesmo espaço em que farão a estreia com um mês de antecedência.

"Isso raramente acontece em teatro. Normalmente, os grupos ensaiam em salas ou outros espaços e só quando já está tudo pronto é que eles vão para os teatros", diz o produtor Ben-Hur Prado. "A vantagem é que você tem uma melhor ambientação e reconhecimento do espaço para a estreia. Vai criando intimidade",diz.

 

PROGRAME-SE
“O Mercador de Veneza”, de William Shakespeare
Pré-estreia dia 21 de janeiro, na Oficina de Teatro da UEM
Ingressos a R$ 40 e
R$ 20 (meia)

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