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19/03/2011 às 02:00 - Atualizado em 19/03/2011 às 02:00
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama e do Brasil Dilma Rousseff participam, hoje à tarde, em Brasília, de uma cúpula empresarial, com a presença de cem empresários, 50 brasileiros e 50 norte-americanos, dos segmentos de infraestrutura e energia.
Entre os setores escolhidos para representar o Brasil, cinco vagas foram reservadas para a indústria sucroalcooleira. Esses empresários levam ao Distrito Federal as demandas defendidas pela Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).
A entidade está alinhada a outras do País pela derrubada das barreiras comerciais e subsídios que favorecem o produto norte-americano e dificultam o acesso do etanol brasileiro ao mercado dos EUA.
O governo norte-americano paga aos produtores US$ 0,45 por galão para reduzir o preço interno do etanol. Produzido a partir do milho, o álcool combustível norte-americano é menos competitivo que o brasileiro, extraído da cana-de-açúcar.
Os subsídios custaram US$ 4 bilhões aos cofres dos Estados Unidos em 2008. Para piorar, os EUA taxam o combustível brasileiro que entra no país. A tarifa é de US$ 0,54 por galão, mais 2,5% sobre o valor da importação. Como resultado, cada litro do etanol brasileiro entra nos Estados Unidos até R$ 0,60 mais caro e perde mercado.
Para o superintendente da Alcopar, José Adriano Dias, há uma incoerência na política norte-americana para os combustíveis. "O petróleo comprado do Brasil pelos Estados Unidos não tem taxa. É uma incoerência, porque eles também são produtores", ressalta.
A Alcopar está aliada com a associação paulista, Única, e outras representantes do setor para denunciar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Se eles querem subsidiar o etanol que será vendido no mercado deles, não há problema", explica Dias.
"O problema é que eles subsidiam o produto que concorre com o nosso no mercado internacional", conclui o superintendente, que classifica esse tipo de concorrência como "predatória".
Por causa dos subsídios norte-americanos, quebras de safra de cana, valorização do açúcar e queda no preço do petróleo, as exportações do etanol brasileiro caíram para menos da metade.
O Paraná chegou a exportar um milhão de litros de etanol em 2008. No ano passado, as exportações só chegaram a 420 milhões de litros.
Alcopar não vai
Das cinco vagas destinadas para o setor sucroalcooleiro do Brasil no encontro da tarde de hoje com o presidente dos EUA, Barack Obama, uma foi reservada para o Estado do Paraná. As outras foram para os Estados de São Paulo, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. O representante paranaense Miguel Tranin, presidente da Associação de Produtores de Bioenergia (Alcopar), no entanto, abriu mão de participar do evento, em Brasília. A decisão foi comunicada pela entidade ontem à tarde. Com a desistência, a vaga foi transferida para Alagoas ou Mato Grosso do Sul.
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19/03/2011 às 02:00 - Atualizado em 19/03/2011 às 02:00
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