• Rivotril lidera venda de ‘tarja-preta’ no País

  • Carla Guedes
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Os ansiolíticos são os medicamentos controlados mais vendidos no Brasil. A informação consta de um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado ontem. Os seis princípios ativos mais consumidos no País entre 2007 e 2010 foram clonazepam, bromazepam, alprazolam, fenobarbital, amitriptilina e carbamazepina.

Os medicamentos, conhecidos como "tarja preta", são indicados para tratamento de ansiedade, depressão, pânico, insônia e bipolaridade e só têm autorização para serem vendidos com receita médica em farmácias autorizadas pela Anvisa, mas é fácil encontrá-los à venda livremente na internet.

Para o psiquiatra Mateus Astolfi, responsável pelo Programa de Residência em Psiquiatria do Hospital Psiquiátrico de Maringá, o fato de esses psicotrópicos serem os mais vendidos indica que estão sendo usados além do período recomendado pelo médico. "Grande parcela da população tem algum transtorno mental, como depressão, ansiedade, transtorno de pânico e fobias; doenças que indicariam o uso dessas medicações, porém por tempo determinado", destaca.

Credito

Médicos alertam que os remédios são eficazes no caso de transtornos mentais, mas o uso é por tempo limitado

Exagero

A venda do antidepressivo Rivotril - nome comercial do medicamento produzido a partir do clonazepam - cresceu 35.000% em três anos; passou de 29,4 mil unidades vendidas em 2007 para 10,5 milhões comercializadas em 2010. Em 2007, sete farmácias registraram vendas do Rivotril; e em 2010, 258. A estimativa é que os brasileiros gastaram cerca de R$ 92 milhões em caixas de Rivotril em 2010.

O segundo ansiolítico mais comercializado, o Lexotan (bromazepan), vendeu, em 2010, 4,4 milhões de unidades. O Frontal (alprazolam) contabilizou o comércio de 4,3 milhões de caixas.

A alta nas vendas pode estar ligada à dependência do efeito provocado por elas e, por isso, são drogas recomendadas por tempo limitado. "São ótimos medicamentos sintomáticos até que o medicamento-base faça efeito. O que acontece é que a pessoa acaba tratando a insônia e deixando a depressão de lado. Com isso, acaba ficando com dois problemas: a dependência da medicação e o agravamento do quadro depressivo", explica o médico. "É como tratar pneumonia só com xarope para tosse, sem o antibiótico", compara.

Em Maringá, esses antidepressivos são distribuídos gratuitamente pelo Centro Integrado de Saúde Mental (Cisam) e pelo Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e outras Drogas (CapsAD), mediante receita médica e cadastro nas unidades.

De acordo com a Anvisa, 41.032 farmácias têm autorização para comercializar medicamentos controlados no País.


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