• Até remédio de R$ 35 é difícil de conseguir

  • Rosângela Gris
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Há 1 ano e 6 meses, a contadora Juliana Aleixo Gonçalves, 35 anos, diagnosticada com um tumor de hipófise há 4 anos, luta contra a burocracia do sistema público de saúde para conseguir o remédio prescrito para o tratamento da doença. Em 2009, ela abriu um processo solicitando o medicamento Dostinex - cada comprimido custa R$ 35 - à 15ª Regional de Saúde de Maringá e teve o pedido indeferido inúmeras vezes.

"Como faz tempo que dei entrada não sei dizer exatamente se foram quatro ou cinco vezes que o processo voltou. Sempre que ele retorna chega com o pedido de novos exames que comprovem a minha necessidade pelo medicamento; já fiz tomografia, raio X, exame de tireoide. O último solicitado foi de prolactina", recorda.

Ela diz que está cansada do corre-corre entre o consultório médico e laboratórios para liberação e realização de exames. O Dostinex, tomado semanalmente pela paciente, age para matar ou pelo menos impedir o avanço do tumor.

Com o medicamento, Juliana diz ter conseguido conter o avanço do tumor, que ocupa 50% da sua glândula, e reverter sintomas da doença, como a menopausa precoce.

A irregularidade ou interrupção do ciclo menstrual e a produção de leite fora do período de amamentação são as manifestações mais frequentes desse tipo de tumor. "Tenho uma vida normal novamente, mas preciso do remédio para manter estabilizado (o tumor). Se minha vida dependesse do remédio, eu teria que esperar todo esse tempo?"

Ela diz que a luta para conseguir o medicamento não é só por questão financeira, já que gasta, em média, R$ 140 por mês. "É um direito de todo cidadão. Segundo o meu médico, terei que tomar o Dostinex pelo resto da vida. Ele mesmo me orientou a recorrer ao sistema público para obtê-lo."

Explicações
A 15ª Regional de Saúde informou que a responsabilidade de avaliar e aprovar ou indeferir os pedidos cabe aos auditores do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), em Curitiba.

Por meio da assessoria de imprensa, o Cemepar informou que o mais recente processo de Juliana está na fila de mais de mil processos que aguardam avaliação médica. O número de indeferimentos aplicados ao processo desde a sua abertura não foi informado, apenas que o último, em dezembro de 2009, foi motivado pela ausência da cópia de um exame.

A assessoria do Cemepar informou ainda ter solicitado caráter de urgência ao processo de Juliana ontem à tarde e que, caso seja aprovado, a liberação do medicamento deve ocorrer em 30 dias.

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Comentários

1 comentários

  • Marco Centini
  • | 08/07/2010 21:38:24
  • Embora minha saúde até hoje não se tenha recuperado e tenha que tomar remédio de uso contínuo,já há dois anos,tive minha aposentadoria negada, mesmo apelando para a justiça federal e custeio por minha conta meus remédios.Vivemos em dois países.

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