• Noite de Oração vai reunir oito religiões pela paz

  • Glaucia Nielsen

 

Fotos/Rafael Silva

Noite da oração pela paz é realizada há sete anos em Maringá


Semente do Movimento Ecumênico (Mecum) de Maringá, o Grupo de Diálogo Inter-religioso (GDI) está preparando a 7ª Noite de Oração pela Paz, no dia 21 de setembro, uma terça-feira, a partir das 20h.

Representantes de oito religiões ¿ bahá'is, budistas, candomblés, católicos, espíritas, evangélicos, islamistas e umbandistas ¿ estarão reunidos no Auditório Dona Guilhermina (Avenida Tiradentes, 740, próximo à Catedral) para promover a cultura de paz mundial por meio da união de costumes e credos.

A previsão é que mil pessoas prestigiem a atividade, que tem entrada franca. Além de cada um dos oito membros realizar uma oração pela paz, estão previstas apresentações do Coral Arquidiocesano; grupo de percussão japonesa Taiko (tambores), do Tempo Budista; grupo de danças árabes Dabka, promovida pelos muçulmanos, e entrega de rosas brancas pelos bahá'is.

Coordenador do evento, o advogado Irivaldo Joaquim de Souza, está entre os fundadores do GDI, há 14 anos, e conta que Maringá é uma das poucas cidades brasileiras a contar com templos e membros de praticamente todas as religiões praticadas no mundo.

"É um reflexo próprio do município em razão de seus primeiros habitantes terem vindo de outras regiões do Brasil, como Minas Gerais e São Paulo."

Para Souza, a Noite de Oração pela Paz é a oportunidade que os
maringaenses têm de refletir sobre a importância da harmonia entre os povos, independente do credo praticado.

"Inclusive, o evento surgiu em uma época de extrema violência em Maringá, e acreditávamos, assim como continuamos acreditando, que era necessário mostrar o quanto a paz precisa estar presente na vida das pessoas."

 


"Vem comigo"


O Mecum é, segundo Souza, o responsável por toda a harmonização existente entre as religiões dos maringaenses. "Mecum é o nome do Movimento Ecumênico, a partir do qual surgiu o GDI, e significa 'vem comigo'", explica. Conforme ele, a criação do Grupo de Diálogo Inter-religioso se deu a partir do interesse de alunos do Seminário Diocesano de Maringá, onde Irivaldo Joaquim de Souza era professor de Filosofia e Moral.

"Eles queriam conhecer as religiões representadas no município, já que chamava a atenção justamente essa diversidade. Foi a partir de uma conversa sobre a Mesquita que o assunto evoluiu."

Da criação do GDI à realização da primeira edição da Noite de Oração pela Paz, foram sete anos. "A celebração surgiu da convicção que tínhamos de como era importante mostrar nossa união, que leva à cultura da paz", conclui. A partir do encontro, é elaborada uma carta de intenções do GDI, endereçada a autoridades do município.


Público
1 mil são esperadas para a 7ª edição da Noite de Oração pela Paz, no próximo dia 21.


Mahasti de Macedo
(Bahá¿i)
Mahasti Sahihi de Macedo, 61 anos, é representante do bahá'i, religião de origem iraniana. Em Maringá desde 2007, nasceu no Irã e foi criada em São Paulo, onde chegou há 55 anos. Sua família foi a segunda de bahá'is a se instalar no Brasil, no intuito de propagar a religião.
Para a noite, Mahasti prepara uma mensagem condizente à própria atuação do GDI. "Buscamos a convivência em paz, sem conflitos. Sabemos que, hoje, a maior parte das guerras tem cunho religioso, como o enfrentamento entre Israel e Palestina."


Eduardo
Sasaki (budismo)
O monge Eduardo Ryoho Sasaki, 46, pratica o budismo desde o nascimento. Nascido em São Paulo, aos 28 anos se tornou monge, e desde 1996 vive em Maringá. Acredita que o evento é a representação da amizade entre os líderes religiosos da cidade.
"Temos não só a compreensão e o conhecimento das outras tradições, mas laços fraternos importantes. Somos mais iguais que diferentes." Para Sasaki, ao longo da maturação do grupo, ficaram os compromissos pessoal e institucional das tradições que representam.


Maria
Nascimento (candomblé)
Representante do candomblé, Maria de Lourdes Nascimento, 64, é a sacerdotisa Yalorixá Sandiá. Praticante há 36 anos, é nascida em Minas Gerais e mora em Maringá desde 1962.
Maria está preparando orações pela paz no ritmo do candomblé para proferir durante o evento. "No momento em que a harmonia é respeitada entre as religiões, fica mais fácil unir os povos. Nos reconhecemos em uma só corrente, que podemos transferir para todo o mundo, para que sejamos iguais, sem preconceito, mágoas e queixas."


D. Anuar
Battisti (catolicismo)
Representante do catolicismo, o arcebispo dom Anuar Battisti tem 57 anos e é gaúcho de Lajeado. Nesta semana, encontra-se na Venezuela, no 3º Congresso Latino-Americano de Jovens.
Ordenado padre em 1998, chegou a Maringá para assumir a arquidiocese seis anos depois. Delegado da Igreja Católica para Assuntos Inter-religiosos, Irivaldo Joaquim de Souza, diz que, durante a Noite de Oração, a ideia do arcebispo é transmitir todo o interesse em promover encontros que propaguem a harmonização entre culturas e crenças.


Lannes Csucsuly
(espiritismo)
Lannes Boljevac Csucsuly, 64, sempre praticou espiritismo. Nascido em Londrina, reside em Maringá há 40 anos.
Para a Noite de Oração pela Paz, Csucsuly está preparando orações que incentivam a união entre as religiões existentes na cidade. "A harmonia entre os homens só será possível quando houver convivência fraterna entre as diferentes crenças. Temos o compromisso de, em nossas ações e em nossa vida, mantermos atitudes pacíficas, divulgando a paz pela fala e pelas atitudes."


Robert Newnum
(evangélico)
Norte-americano de Indiana, o reverendo Robert Stephen Newnum, 59, está no Brasil há três décadas e desde 2002 vive em Maringá. Representa a Igreja Metodista Unida dos EUA e acredita que a Noite de Oração é um aprendizado para todos os povos, especialmente quando fala-se em respeito às diferenças.
"A ideia é sempre promover a paz, porque precisamos conhecer o outro, senão, jamais perderemos o preconceito e o esteriótipo", analisa ele, que aprova o GDI como o melhor meio de entendimento das culturas religiosas.


Mohamad El Ghassem
(islamismo)
Representante do islamismo, o xeique Mohamad El Ghassem Abbaker-Al Ruheidy, 48, pratica o islamismo desde o nascimento, no Sudão, país africano. Vive em Maringá desde 1997 e acredita na fala sobre união e paz praticada pelo GDI.
"Entramos em um consenso de que, para haver paz no mundo, é necessária a convivência entre as religiões. Costumamos dizer que há uma diversidade com a unidade, que é Deus", conclui o xeique, que na sexta-feira encerrou as comemorações do hamadã na Mesquita de Maringá.


Marilza de Paiva
(umbanda)
Na religião umbandista desde os 12 anos, Marilza Martins de Paiva, 54, há três anos se tornou representante no GDI. "Era a minha mãe quem atuava fortemente no movimento desde o início", recorda.
Ela prega a paz mundial e defende o fim da tristeza e da discórdia. "Somente a união entre os povos é capaz de promover isso", aposta Marilza. Apesar de ainda não ter confirmação, ela pretende levar mediuns à Noite de Oração pela Paz para que façam uma representação do umbandismo durante o evento.

 

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