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05/10/2010 às 12:58
O trabalho dos recenseadores em um censo demográfico é de fundamental importância. Desde a correta aplicação dos questionários até a cordialidade com o informante, o profissional, por lidar com pessoas das mais diferentes classes, costumes e culturas, é obrigado a passar pelas mais diversas situações, tudo em nome das respostas da população.
O quesito data de nascimento dos moradores do domicílio revela a nova realidade das famílias brasileiras. Enquanto que uma senhora de mais de 80 anos e com 11 filhos é capaz de informar corretamente a idade dos filhos e netos, muitas vezes homens recém-casados precisam da ajuda da mulher para responder sobre o mês e o ano do nascimento do filho mais novo.
Morador "extra"
Que o nome de todos os moradores deve ser perguntado, o recenseador Rodolfo Roberto, de 18 anos, sabe muito bem. O que não esperava era ter que incluir como morador ninguém menos que Jesus, a pedido da entrevistada. "A senhora evangélica ficava atrás de mim enquanto preenchia as respostas no computador de mão para ver se eu havia colocado mesmo mais um morador." As questões relativas à data de nascimento e trabalho também tiveram que ser respondidas sobre Ele. "A mulher disse que Ele nasceu em dezembro, mas não soube o ano, nem o rendimento mensal."
Constrangimentos
A receptividade da população também foi sentida por Eurice Conceição de Almeida, de 42 anos, que, em uma manhã, encontrou um morador apenas de cueca. "Era um negro alto, em uma cueca minúscula e insistindo para que eu entrasse. E ainda estava naquele estado." Eurice recorda como ficou irritada com a situação: "Eu simplesmente perguntei se ele ia, ou não, me responder. Fui curta e grossa e ele foi trocar de roupa."
A recenseadora Elenice da Silva Santos, de 38 anos, teve que chamar a supervisora para acompanhá-la em uma entrevista, após presenciar um "desabafo" de uma moradora. "Eu entrei na casa e a mulher, de uns 60 anos, abaixou as calças e mostrou as feridas que tinha nas nádegas. Foi horrível."
Censo também une pessoas
Como qualquer trabalho que envolva muitas pessoas, o censo proporciona grandes amizades entre os trabalhadores. Uma recenseadora de 39 anos está namorando um vizinho que lhe prestou as informações e com o qual nunca havia conversado antes. "Fui numa casa vizinha da minha, na qual a mãe do morador me disse que o filho era apaixonado por mim. Eu tive um problema nos dados e, quando tive que voltar à casa, ele me respondeu e me convidou para sair". Mara aguarda o pagamento do trabalho no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para organizar uma festa de noivado. "Nós só estamos namorando por causa do censo."
Perguntas nem sempre são compreendidas
As respostas dos questionários, muitas vezes concedidas com portões fechados do condomínio de luxo, e outras com a hospitalidade de uma família humilde, nem sempre são bem entendidas pela população. A recenseadora Roseneide Aparecida dos Santos Fermino, de 38 anos, foi entrevistar um casal, e a mulher disse que era indígena. "Ela era quase albina. Eu tive que explicar que indígena é a pessoa que mora em tribo. Nisso, o marido deu um empurrão e chamou a mulher de burra."
Cães
Mas nem sempre a hospitalidade dos moradores motiva o trabalho dos recenseadores. Cristiane Mendonça Sebold, de 48 anos, foi recebida com uma bola de couro por uma criança. "Os pais começaram a responder e o menino, de uns quatro anos, me acertou com uma bolada na cabeça."
Os cachorros também se tornam outro entrave ao processo censitário. "Eles estão aos montes, nas ruas, sempre correndo atrás de alguém com um colete", afirma Sara Inae dos Santos, de 23 anos, que foi mordida por um cachorro durante a coleta. "O cão me mordeu na barriga. Fui direto ao posto de saúde e tomei medicação. O pior é que ainda tive que voltar para fazer a entrevista."
Dramas pessoais
A simplicidade e superação das pessoas também são analisadas pelos recenseadores. Arleneo Machado de Freitas, de 57 anos, conta que ficou emocionado ao encontrar uma residência com uma senhora e dois filhos com deficiência mental. "Um dos filhos da aposentada trabalha em programa de preservação à mata ciliar. A outra trabalha com obras sociais. Eu quase chorei quando cheguei em casa."
Os trabalhos do censo demográfico 2010 estão previstos para terminar em meados de novembro. As primeiras projeções relativas à quantidade de pessoas serão divulgadas a partir de dezembro.
(João Paulo Pugin é aluno do 3º ano do Curso de Jornalismo do Cesumar)
05/10/2010 às 12:58
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