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11/11/2010 às 02:00 - Atualizado em 11/11/2010 às 02:00
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Padre Julinho: "Gostaria que a Câmara olhasse mais para o povo"
O monsenhor Júlio Antônio da Silva, mais conhecido como padre Julinho, entrou esta semana para a lista dos que abriram mão de receber o título de cidadão benemérito de Maringá. O religioso diz que não aceita a homenagem do Legislativo por princípios cristãos.
"Gostaria que a Câmara olhasse mais para o povo. Por que não dar a homenagem para aqueles que acordam às 4 horas da manhã em Sarandi, para trabalhar em Maringá?" " Na Bíblia já consta que a mão esquerda não saiba o que a direita está fazendo", justifica o pároco da Paróquia Cristo Ressuscitado, na Zona 5.
Padre Julinho tem 53 anos, 33 anos no sacerdócio, nasceu em Astorga, é fundador das instituições Marev, Casa de Emaús e Casa de Nazaré. A homenagem foi proposta pelo vereador Heine Macieira (PP) e constava da pauta de votação da Câmara na sessão da última terça-feira.
O parlamentar pediu arquivamento do projeto ao saber que o religioso rejeitou a honraria. "Não vejo nenhum problema nisso. Ele só cresceu no meu conceito com essa atitude, confesso que fiquei impressionado", disse Heine.
O vereador diz que não chegou a falar com o padre antes de propor a honraria. Segundo ele, a ideia de colocar a homenagem à votação partiu do ex-vereador Antenor Sanches.
A rejeição ao título não é inédita na Câmara. Em 2007, o empresário Marcos Falleiro também foi alvo do mesmo projeto, que foi votado e aprovado. À época ele era presidente do Galo Maringá. Segundo a presidência da Casa, Falleiro ainda não apareceu para receber o título.
O mesmo aconteceu em 1970. Em 1º de julho daquele ano, a Câmara aprovou a resolução 145/70, tornando o então jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, cidadão honorário de Maringá.
A votação aconteceu em 1º de julho, duas semanas após a seleção brasileira conquistar o tricampeonato mundial de futebol. O rei do futebol nunca apareceu para receber a homenagem.
O presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PMDB), diz que a rejeição é rara, mas os pedidos de pessoas interessadas em receber a honraria são frequentes.
"Tem gente que vem pedir para ser homenageado na Câmara. Mas geralmente quem pede é porque não merece", sentencia. Neste ano foram apresentados cinco projetos de cidadania benemérita. À exceção do que homenagearia o padre Julinho, as outras quatro propostas foram aprovadas pela Casa.
11/11/2010 às 02:00 - Atualizado em 11/11/2010 às 02:00
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