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12/12/2010 às 02:00 - Atualizado em 12/12/2010 às 02:00
Espremido entre as paredes de madeira do hotel, Manoel da
Silva não teve outra alternativa a não ser fechar
Foto: João Paulo Santos
Um dos endereços mais antigos de Maringá, ponto de referências para os moradores mais velhos e para quem chegava na cidade, o Hotel Paulistano, onde ficaram muitos dos pioneiros e oferecia ainda um dos maiores restaurantes da cidade, deixou de existir desde quarta-feira da semana passada, depois de 63 anos de funcionamento ininterrupto.
O proprietário, Manoel Alves da Silva, disse que não pretende vender o estabelecimento, que ficou na história como um dos maiores e mais conhecidos hotéis e era, até quarta, um dos mais pobres e o mais famoso ponto de prostituição de Maringá.
O Hotel Paulistano foi um dos primeiros prédios da área central, construído em 1947, quando a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná iniciou a venda de lotes e abriu as ruas e avenidas do "Maringá Novo" -até então a cidade se resumia à área hoje conhecida como Maringá Velho.
Ao mesmo tempo em que era aberto o espaço que se transformou na Praça Raposo Tavares, um pioneiro hoje lembrado apenas como Júlio construiu o prédio na esquina das ruas que depois vieram a chamar-se Travessa Júlio Mesquita Filho e Bandeirante, hoje Rua Joubert Carvalho. Era o ponto mais central da cidade, ponto de passagem para quem chegava de trem e descia na Estação Ferroviária – que ficava onde hoje é o Terminal Urbano – e 15 anos depois, com construção da Estação Rodoviária, tornou-se o hotel mais visível para quem chegasse de ônibus.
Originalmente, o hotel ia desde a esquina até onde hoje está a Sementes Yoshida, era um dos poucos a oferecer chuveiros quentes quando a cidade ainda não tinha luz elétrica, graças a uma caldeira tocada a lenha, todo o andar térreo era um imenso restaurante e os quartos ficavam no andar superior. Como a maioria dos estabelecimentos da época, apenas as paredes externas eram levantadas em tijolos surdos rebocados, com todo o interior, inclusive no segundo andar, em madeira retirada das matas em que nasceu a cidade.
Hóspedes ilustres
O pioneiro Juvêncio Aurélio Pereira, que vende frutas em um carrinho na esquina da Júlio Mesquita com Joubert Carvalho, foi funcionário do Hotel Paulistano no início dos anos 50 e lembra que o hotel era o preferido dos artistas que vinham à região para se apresentar em circos, cinemas e fazer shows patrocinados por empresas.
"As duplas mais importantes da época, como Tonico e Tinoco, Liu e Léu, Zico e Zeca e outras chegavam na cidade e vinham direto para cá, onde já eram conhecidas da casa", diz. Muitas vezes, em pleno restaurante ou nos corredores do hotel era comum Tião Carreiro e Pardinho, Caçula e Marinheiro ou Pedro Bento e Zé da Estrada sacarem suas violas e violões para ensaiar, para divertir o público ou para compor uma nova canção que depois seria tocada nas emissoras de rádio e cantarolada em todo o Brasil. "Era um hotel bonito", lembra Juvêncio.
"Na parte de baixo tinha o bar, o restaurante e, lá mais no fundo, a cozinha; os quartos ficavam todos em cima".
Vendendo fruta ao lado do hotel há quase 50 anos, Juvêncio viu a cidade crescer, nascerem os primeiros prédios, a ferroviária, a rodoviária, e acompanhou de perto a decadência do Paulistano. "Vieram outros hotéis e o Paulistano não acompanhou o crescimento e a modernização da cidade, foi ficando para trás".
Com a queda no movimento, o primeiro dono, Júlio, vendeu para um homem de Marialva conhecido como Messias, que ganhou muito dinheiro perfurando poços e fossas. Depois, Messias vendeu para outra pessoa, que vendeu para outra, até que alguns anos atrás o prédio foi comprado pelo contador Guido Nogueira, que não quis tocar o hotel e arrendou-o. Agora, acabou.
12/12/2010 às 02:00 - Atualizado em 12/12/2010 às 02:00
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