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  • Publicado em 18/03/2010 09:31
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  • Atualizado em 18/03/2010 10:30
  • Mais crédito e menos IPI aquecem construção civil

  • Nunca se construiu tantas obras em Maringá como neste início de ano. Só nos dois primeiros meses de 2010, elas somam mais de 100 mil metros quadrados, enquanto que, em janeiro e fevereiro do ano passado, foram 78,5 mil metros quadrados ¿ uma diferença de 27,7%. Os números deste começo de ano são superiores ao mesmo período dos três últimos anos. Os dados são da Secretaria Municipal de Controle Urbano e Obras (Seurb) e baseiam-se na concessão de alvarás para novas obras.

    Um dos motivos é a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos materiais de construção, que começou a vigorar em setembro de 2009 e termina no dia 30 de junho deste ano. Aliado a isso, a ampliação do crédito imobiliário pelo governo federal aqueceu a indústria da construção civil. O setor espera que programas como Minha Casa Minha Vida continuem, porque além de movimentar a economia, geram milhares de empregos.

    Manter redução

    O presidente do Sindicato dos Revendedores de Materiais de Construção de Maringá e Região (Simatec), Valdeci Aparecido da Silva, diz que menos impostos permitem a construção com custo menor e que é preciso manter o IPI reduzido: ¿Temos que nos unir para que o governo mantenha a redução do imposto. Isso aquece o mercado, gera empregos e movimenta a economia¿.

    Outro reflexo na construção civil, diz ele, é que, com o aumento da demanda, falta mão de obra qualificada. Faltam pedreiros, mestres de obras, carpinteiros e outros profissionais técnicos envolvidos na obra civil. ¿Mas a falta de mão de obra qualificada é um problema bom de resolver¿, acrescenta.

    Silva destaca que está faltando até vendedor qualificado de materiais de construção no mercado maringaense. ¿Para atender essa demanda, o Simatec, em parceria com outras instituições, promove cursos profissionalizantes para vendedor e pedreiro¿, informa. O salário de um pedreiro gira em torno de R$ 1,1 mil.

    ¿Temos cinco turmas no curso de pedreiro. São 160 horas de estudos e, no final, o aluno recebe o diploma e um kit de ferramentas¿, diz. Segundo ele, não é apenas a construção civil que se beneficia com o aquecimento do setor, mas toda a cadeia produtiva do mercado brasileiro.

    Três fatores
    O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), Marcos Mauro Moreira, diz que há outros aspectos que devem ser considerados quando se analisa o aumento no número de obras civis. ¿São, pelo menos, três fatores que têm reflexos na economia, não apenas de Maringá, mas de todo o Brasil¿, observa.

    O primeiro deles, segundo Moreira, é que 2010 é um ano de eleições e, nesse caso, há uma aceleração na construção de obras públicas. Em segundo lugar, a atividade aquecida em todos os setores da economia cria um ciclo. ¿O capital de muitas atividades econômicas migra para a construção civil. Os lucros são investidos em imóveis e obras civis¿, explica. E em terceiro lugar, o aumento do crédito imobiliário e a redução de impostos.

    ¿O IPI reduzido também ajuda, mas os juros mais baixos do crédito imobiliário facilitam a compra da casa própria¿, afirma. Entre janeiro e fevereiro deste ano, só a Caixa Econômica Federal (CEF) concedeu R$ 5,4 bilhões em crédito habitacional. Na avaliação de Moreira, quando se reduz o preço do material de construção, reduz-se também o preço dos imóveis.

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