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A escassez de álcool no mercado - causada tanto pela entressafra da cana-de-açúcar quanto pelos estoques reduzidos mantidos pelas distribuidoras - pode ser o estopim de uma nova elevação do preço do álcool combustível.
Mas representantes do setor sucro-alcoleiro salientam que o problema não seria a falta do produto, e sim a especulação.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) informou, nesta terça-feira, que há falta tanto do álcool anidro (que é misturado à gasolina) quanto do hidratado (usado nos veículos) e o desabastecimento atingiria seis Estados - entre eles o Paraná.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, disse, entretanto, que no Paraná se percebe uma escassez do produto, mas não a falta.
¿Há alguns Estados com postos secos, mas aqui ainda não¿, afirmou.
Fregonese lembra que a safra de cana-de-açúcar deve ser recorde neste ano e que uma alta no preço do álcool seria conseqüência de um movimento especulativo.
¿Em todo início de safra, a tendência é o preço cair¿, afirma Fregonese. ¿As distribuidoras se acostumaram e mantiveram estoques baixos, e qualquer atraso na entrega por parte das usinas acaba gerando desabastecimento¿, analisa.
O vice-presidente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Ricardo Rezende, concorda com Fregonese. ¿Tem álcool¿, garante Rezende. ¿As distribuidoras trabalham com estoque curto, basta dar qualquer `barrigada¿ na entrega que acontece isso.¿
Uma possível causa para uma `barrigada¿ a que se referiu Rezende é o excesso de chuvas, que diminuiu o volume de cana colhida e moída nas usinas. Alguns estariam aproveitando desse momento para tentar forçar uma elevação nos preços.
O coordenador de cana-de-açúcar e do setor sucro-alcoleiro da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Disonei Zampieri, confirmou que apenas 3,6% da área plantada de cana-de-açúcar foi colhida até o mês passado.
¿É normal esse descompasso entre oferta e demanda nesta época¿, comentou o técnico. ¿A oferta começa a se organizar em maio e a grande concentração de colheita da cana acontece entre junho e agosto.¿
Até a semana passada, o álcool havia subido R$ 0,03 para os varejistas. ¿E espero que fique nisso¿ disse Fregonese.
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