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  • 27/05/2009 às 22:28
  • Descaso dificulta busca por crianças desaparecidas, denuncia associação Mães da Sé

  • André Simões
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  • ¿O Governo trata a questão das crianças desaparecidas com descaso total. É uma vergonha¿. A denúncia vem de Ivanise Esperidião da Silva, presidente da Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD), popularmente conhecida como Mães da Sé. Com sede em São Paulo, capital, a entidade fundada em 1996 é a maior do País na busca de pessoas desaparecidas. A ABCD conta com um cadastro de mais de 7,3 mil casos, tendo auxiliado no encontro de 2.022 pessoas (aproximadamente 25% do total de ocorrências).

    Para Ivanise, que foi ouvida nesta quarta-feira (27) pela reportagem de O Diário, o maior problema é a falta de um cadastro nacional de pessoas desaparecidas. A Secretaria dos Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, dispõe de um site listando ocorrências, mas a presidente da ABCD diz que a página, além de não estar completa, é desatualizada.

    Ivanise destaca a alteração de valores. ¿Se uma pessoa tem um carro roubado, ele vai parar num cadastro nacional. Por que com uma criança não é assim?¿. Os dados sobre crianças desaparecidas no Brasil são imprecisos. O único estudo numérico vem de pesquisa realizada há 10 anos, conduzida pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos, com apoio do Ministério da Justiça.

    De acordo com esse levantamento, aproximadamente 200 mil pessoas desaparecem por ano no Brasil, e 20% desse contingente é formado por crianças. De lá para cá, nenhum estudo abrangendo todo o País foi realizado. ¿Cada Estado tem seus próprios dados, que muitas vezes são desorganizados¿, diz Ivanise. ¿Uma organização centralizada é uma coisa básica, que facilitaria muito na resolução de casos¿.

    Lentidão
    A lentidão das investigações policiais também é um problema na visão da presidente da ABCD. Segundo ela, muitas vezes a investigação oficial de um caso está atrás da efetuada por entidades civis, que contam com muito menos recursos.

    Perguntada pela reportagem se a busca das crianças desaparecidas feita pelo governo é deficiente, Ivanise responde com ironia amarga: ¿Se é que alguma busca é feita¿.

    E dá seu próprio caso como exemplo. Ela conta que só recentemente, quando recebeu um telefonema informando do suposto paradeiro da sua filha Fabiana, desaparecida desde 1996, e comunicou a informação à polícia, é que descobriu que o caso já havia sido arquivado, à sua revelia. ¿É um completo desprezo¿. Posteriormente, descobriu que a ligação era um trote.

    Essas chamadas mal-intencionadas são outro fator problemático e constante enfrentado por quem busca desaparecidos. Ivanise informa que, nos 13 anos em que procura por sua filha, já sofreu com isso diversas vezes. ¿Há duas semanas mesmo me ligaram dizendo que ela estava em Florianópolis¿. A presidente da ABCD não consegue compreender a diversão de pessoas em explorar a dor alheia. ¿Espero que essas pessoas não sofram um dia o que eu sofro nos últimos 13 anos¿.

    Ivanise conta que seu relativo alívio vem de cada caso que sua entidade ajuda a solucionar. ¿É uma vitória. Ontem mesmo, por meio da divulgação de foto em um programa de TV, encontramos um garoto que estava desaparecido há 18 dias em Guarulhos¿.

    Enquanto auxilia outras famílias, Ivanise não perde a esperança de ter seu caso solucionado. ¿Casos como esse vão me fortalecendo e me dão a esperança de que um dia vai chegar a minha vez¿. A ABCD oferece, além do auxílio na resolução de casos, ajuda psicológica e jurídica para as famílias que buscam desaparecidos.

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