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  • 03/03/2010 às 21:14
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  • Atualizado em 03/03/2010 às 21:20
  • Itambé, Doutor Camargo e Iguaraçu perdem população

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  • Três dos 13 municípios da Região Metropolitana de Maringá (RMM) encolheram, em termos populacional, até 31% nas duas últimas décadas, e o diagnóstico do Observatório das Metrópoles ¿ núcleo de estudos da Universidade Estadual de Maringá ¿ não é dos melhores: caso não haja política de geração de renda, quem está encolhendo tende ¿a ser riscado do mapa¿.

    Entre 1991 e 2009, as cidades de Doutor Camargo, Iguaraçu e Itambé ficaram com as ruas menos movimentadas. A queda mais brusca foi a de Iguaraçu, que em 1991 contava com 5.691 moradores. No ano passado, o município tinha apenas 3.907 habitantes, sofrendo um recuo de 31,3%, segundo a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O número de registros de nascimentos em Iguaraçu também não anima. Em 2008, dado mais recente disponível no IBGE, foram registrados 40 nascimentos, o menor número em quatro anos. O que os estatísticos chamam de ¿crescimento vegetativo¿, que é a diferença entre mortes e nascimentos, foi pequeno. No mesmo ano em que nasceram 40, a cidade registrou a morte de 20 moradores.

    A socióloga Ana Lúcia Rodrigues, coordenadora do observatório, diz que a salvação das pequenas cidades depende de uma política voltada para distribuir empresas pela região. ¿Do jeito que está, a tendência é essa mesmo: quem está encolhendo, vai continuar assim até desaparecer. A taxa de natalidade vem caindo em todo o País e as pequenas cidades não contam com apoio para receberem empresas¿, diz.

    Estudo realizado pelo observatório no ano passado em Doutor Camargo, constatou que para o município zerar o desemprego seriam necessários apenas mais 200 postos de trabalho. Ele contava, em 2009, com 5.753 moradores ¿ 199 a menos que há duas décadas. O crescimento vegetativo foi de apenas cinco habitantes em 2008, com o registro de 43 nascimentos, contra 38 mortes.

    ¿Imagine que você resolveria completamente o problema do desemprego na cidade com uma empresa que contratasse 200 moradores. O problema é que não há uma estrutura na região para atrair empresas e distribuí-las entre as cidades¿, diz a socióloga.

    Itambé perdeu 87 moradores em quase duas décadas. Em 2009, o município contava com menos 1,4% da população de 1991. Diferença que parece pouca, mas mostra que a cidade está estagnada. Em 2008, o crescimento vegetativo ficou com saldo positivo de nove moradores, com o registro de 49 nascimentos, ante 40 mortes.

    Crescimento elevado
    Enquanto há cidades ameaçadas de ¿extinção¿, em outras o problema é falta de estrutura para absorver um grande crescimento populacional. Sarandi, município que faz limite com Maringá, foi quem mais cresceu nos últimos 18 anos: 76%. Uma explosão populacional que ficou acima da capacidade do município de assegurar a infraestrutura necessária.

    Como resultado, a cidade padece com bairros liberados para construção sem asfalto e rede de esgoto. Um dos exemplos da falta de infraestrutura em Sarandi consta dos dados do Ministério da Saúde. Em 2009, do total de 9.406 famílias atendidas por equipes do Programa Saúde da Família e agentes comunitários de saúde, 99,9% não tinham rede de esgoto.

    Em Paiçandu, onde o crescimento foi de 66%, o segundo maior na região metropolitana, os problemas são semelhantes aos da campeã Sarandi. Entre eles está a falta de infraestrutura educacional e de lazer para a nova geração de paiçanduenses. Elza Rosada, diretora da Secretaria de Educação, cita o problema da falta de vagas nas creches.

    ¿Para nós, fica difícil, pois temos uma demanda maior que a estrutura disponível. As mães reclamam, mas não podemos fazer muito¿, conta. A cidade saltou de 22,1 mil habitantes em 1991, para 36,8 mil no ano passado. Só em 2008, por exemplo, foram registrados 399 nascimentos ¿ crianças suficientes para encher duas creches.

    A orientadora pedagógica Elisângela Reis, de Paiçandu, cita outro problema comum: a falta de geração de riquezas na cidade. ¿As mães deixam as crianças nas creches daqui, mas trabalham e gastam em Maringá¿, observa. ¿Meu pai é comerciante aqui há anos, e o movimento só tem caído. Chega o começo de mês e o comércio da cidade continua parado. Todo mundo vai fazer compras em Maringá¿, afirma.

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