• Desbloqueador de sinais de satélite se populariza

  • Vinícius Carvalho

Dezenas de modelos de aparelho, facilmente trazidos a Maringá via Paraguai e que também já são encontrados em eletrônicas no Centro da cidade, estão sendo utilizados como desbloqueadores e receptores de sinais de televisão via satélite. Os mais conhecidos são das marcas AZ Box, AZ América, AZ Plus e AZ Sat.

Sem ter que pagar mensalidade para as operadoras da TV fechada, os usuários só precisam encomendar o dispositivo, contratar a instalação e periodicamente modificar o código que garante o acesso a centenas de canais brasileiros e estrangeiros.

Os códigos de acesso são atualizados, em média, quinzenalmente, por meio de downloads de arquivos em redes sociais, blogs e fóruns da internet. Na maior comunidade do AZ Box no Orkut, com 9.560 membros do Brasil inteiro, 140 pessoas são de Maringá (1,5%), e na comunidade do AZ América são outros 183 maringaenses.


Usuário
O servidor público Emanuel (nome alterado a pedido do entrevistado) conta que utiliza o AZ Box há um ano. Antigo usuário da Sky, ele conta que se sentiu desestimulado a continuar pagando pelo serviço via satélite.

¿No começo, tudo é novidade, mas com o tempo, você percebe que boa parte da opção não passa de repetição, em outros horários, da programação de um determinado canal¿, comenta Emanuel. A partir dessa constatação, o servidor público decidiu utilizar um meio de acessar mais canais ¿ estratégia popularmente chamada de ¿gato¿.

Ele encomendou um aparelho do Paraguai e, pelo mesmo contato da compra, contratou o serviço de instalação. O único inconveniente é ter que acessar blogs e comunidades especializadas na internet para, periodicamente, modificar o código de acesso. ¿É só baixar o arquivo, inserir em um pendrive e colocar no aparelho, que tem entrada USB¿, explica. Os usuários do chamado ¿Skygato¿ só reclamam do canal Telecine e seus derivados, que deixaram de ser acessados nos últimos tempos.

Não é preciso ir ao Paraguai ou encomendar de lá este tipo de aparelho. Diversas marcas do dispositivo são oferecidas em lojas de Maringá, com preço em torno de R$ 600. Emanuel conta que, há um ano, pagou R$ 700 pelo AZ Box e a instalação.

¿Hoje, comprando direto no Paraguai, é possível conseguir por R$ 250, o que equivale a três meses de mensalidade de uma TV via satélite¿, compara. A mudança do câmbio real-dólar e a crescente oferta de aparelhos na fronteira Brasil-Paraguai explicam a redução no preço.

Apesar do ¿gato¿ despertar a ira das operadoras de televisão via satélite, a criminalização do uso deste tipo de aparelho é complexa pela falta de legislação específica. Ao comercializar apenas os aparelhos, as lojas e os importadores dificilmente poderão ser criminalizados. Para acusar o usuário, a dificuldade é ainda maior. A própria agência reguladora do sistema admite não ser capaz de coibir o processo.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informa que aparelhos como o AZ Box e o AZ América não são certificados e não oferecem garantia de segurança ao consumidor. A Anatel explica que a certificação oficial também é uma garantia para que o dispositivo não cause interferência em outros serviços
via satélite.

A agência não tem poder para coibir a comercialização ou uso desse tipo de aparelho. A assessoria de imprensa da Anatel informa que, nesses casos, as denúncias recebidas pelo órgão são encaminhadas para os órgãos competentes: as polícias Federal, Civil ou Militar. A Anatel adverte que as pessoas que usam o sinal cometem irregularidades e podem ser penalizadas por isso.


Sem queixa
Na 9ª Subdivisão de Polícia de Maringá ainda não houve denúncias sobre o ¿gato¿ via satélite. O investigador Ivan Galdino, responsável pela seção de registro de ocorrências, explica que a Polícia Civil local já atuou em casos de ¿gato¿ tradicional, em que um fio é utilizado para desviar sinais de TV à cabo, similar aos ¿gatos¿ feitos em sistemas elétricos e de abastecimento de água.

¿Para que seja investigado esse caso, é preciso haver denúncias. Os interessados são os operadores de televisão via satélite, que deveriam se manifestar¿, afirma.

O investigador explica que o uso do aparelho e o acesso não autorizado ao sinal via satélite é interpretado, pela autoridade policial, como furto qualificado.

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