O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (10) que o Brasil não tem nenhum interesse em confrontar os Estados Unidos no contencioso sobre o algodão, vencido pelo País na Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente, contudo, cobrou respeito dos norte-americanos aos países economicamente menores e às regras comerciais internacionais.
Lula disse que o objetivo do Brasil é que os Estados Unidos diminuam os subsídios aos produtores norte-americanos de algodão, permitindo que países mais pobres, sobretudo africanos, consigam exportar sua produção. "As nações prejudicadas são principalmente as africanas, os países pequenos", ressaltou.
O presidente também mandou um recado ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem Lula chamou de "companheiro Obama". "Obama e os Estados Unidos são muito ricos e podem fazer o que quiserem na economia", afirmou. "Mas se os Estados Unidos tivessem feito um acordo com o Brasil na Rodada Doha, em 2008, nós não estaríamos agora brigando e o povo africano estaria vendendo o seu algodão na Europa e nos Estados Unidos", cobrou.
E o presidente emendou com um pedido: "Eu queria pedir ao Obama que colocasse suas pessoas para negociar rapidamente porque o Brasil não tem nenhum interesse em confrontar os Estados Unidos. O Brasil tem interesse de que os Estados Unidos respeitem as regras da OMC tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós", explicou. "Ou nós obedecemos as instituições multilaterais ou o mundo vai ficar desgovernado. O mundo vai virar, eu diria, uma bagunça."
De acordo com o presidente, o produtor brasileiro não precisa tanto do fim do subsídio norte-americano ao algodão quanto o produtor africano. "Acho que está na hora de a gente dar chance para que o pequeno produtor africano coloque o seu produto nos mercados mais ricos do mundo, que são os Estados Unidos e a União Europeia", afirmou.
Lula e a pré-candidata do PT à sucessão no Palácio do Planalto, ministra Dilma Rousseff, participaram nesta quarta da cerimônia de inauguração da Usina Termoelétrica Euzébio Rocha, obra da Petrobras integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dentro das instalações da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão.
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