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No dia em que o novo Código de Ética Médica entrou em vigor, Maria Helena Costa, 66 anos, aguardou três horas e meia por uma consulta no serviço público. Asmática, a idosa passou a tarde desta terça-feira (13) esperando o parecer médico sobre sua condição de saúde. ¿Vim trazer o exame e pedir que a médica troque a bombinha que receitou. Custa quase R$ 200, é muito cara pra mim¿, lamenta.
Convivendo com a doença há mais de 40 anos, ela diz que passou mais tempo da vida em consultórios do que em casa. ¿Os médicos dão pouca atenção. Escrevem na caixinha do remédio como tem que tomar e mandam a gente embora¿, diz.
Se depender da revisão que o Código de Ética Médica sofreu pela sexta vez e que passou a vigorar ontem no País, o sentimento de `abandono¿ de Maria Helena pode diminuir sensivelmente. Entre outras mudanças, o conjunto de regras que orienta a conduta profissional aumenta a autonomia dos pacientes em relação as informações sobre as condições de saúde, o que implica, obrigatoriamente, em consultas mais longas.
O novo código foi adaptado às recentes resoluções do Conselho Federal de Medicina e à legislação vigente no País e é composto por 25 princípios fundamentais, 10 normas diceológicas (direitos), 118 normas deontológicas (deveres) e quatro disposições gerais.
Avanço tardio
Natal Gianoto, delegado regional do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), acredita que a revisão vem com atraso. ¿A evolução da área médica nesses últimos 22 anos foi enorme, principalmente em relação à reprodução humana, não contemplada pela última versão. A valorização do direito dos pacientes também é um grande avanço¿, avalia.
Para Gianoto, o novo documento torna a relação médico-paciente mais segura e desfaz a imagem de órgão corporativo que o conselho da classe detém na sociedade. ¿Os conselhos de medicina buscam o perfeito equilíbrio da relação¿. Com 29 anos de profissão, o médico Manoel Álvares Sobrinho acredita que passou da hora de rever o Código de Ética. Segundo ele, a confiança é a base do bom relacionamento médico-paciente.
¿Quando o paciente fica seguro ele se abre mais. Com a história clínica e o exame físico, o médico tem 70% do diagnóstico. É preciso ouvir o paciente, deixá-lo contar o que sente¿, ensina. Nesse aspecto, o novo documento expressa que os médicos não devem se submeter à pressão de hospitais e clínicas para atender um maior número de pacientes por jornada.
Na opinião de Sobrinho, a valorização dos cuidados paliativos em casos terminais é sinal de grande respeito com o paciente, embora reconheça que a medicina brasileira está muito distante da maneira como a fase final da vida de quem tem uma doença incurável é tratada em outros países. ¿Antes tarde do que nunca¿, diz.
Para o bom exercício profissional, ele acredita que à obediência das regras éticas deve-se acrescentar o lema ¿nem nunca, nem sempre¿, já que pacientes com a mesma doença, da mesma idade, do mesmo peso e medicados igualmente respondem de maneiras diferentes. ¿Medicina é a ciência mais inexata e muito vaidosa. Quando o médico pensa que domina determinado assunto, é surpreendido com o resultado. É preciso ter muita humildade¿.
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