• A importância histórica da indústria

A década de 30 e o primeiro governo de Getúlio Vargas são um marco do processo de desenvolvimento econômico brasileiro, cujo objetivo era a transição de uma economia atrasada e agrária baseada no café, fortemente atingida pela Crise de 1929, para uma economia desenvolvida e industrializada.

Aliás, a palavra industrialização estava na ordem do dia e os esforços ao longo do período de 1930 a 1980 visavam à construção de um parque industrial moderno que possibilitasse projetar o País como potência no cenário mundial.

A construção de gigantescas estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Petróleo do Brasil S/A (Petrobrás), Companhia Vale do Rio Doce, além de instituições relevantes como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aliada à significativa atração de investimento estrangeiro direto, principalmente nas décadas de 50 e 60, possibilitaram a constituição gradual dos setores industriais na economia iniciando pela indústria tradicional (alimentos e têxtil), evoluindo para os setores produtores de bens intermediários (insumos e matérias-primas básicas), bens de capital (máquinas e equipamentos) e bens de consumo duráveis (eletrodomésticos e automóveis).

Ao mesmo tempo em que a industrialização avançava o País crescia. Os setores industriais se ampliaram e se diversificaram e a infraestrutura deu um salto significativo.

No entanto, no período atual, percebe-se uma reversão dessa trajetória. Especialmente a partir da década de 1990, grandes impasses estão se impondo à expansão do setor industrial.

Trata-se das políticas macroeconômicas adotadas, dentre as quais se destaca a taxa de juros alta, o câmbio valorizado que desestimula as exportações brasileiras, o elevado grau de abertura comercial e financeira, que está acarretando prejuízos ao setor produtivo, contribuindo com o baixo crescimento e a geração de empregos em quantidade e em qualidade inferior às necessidades da população.

Entre 1980 e 1998, a participação do PIB industrial no PIB total da economia brasileira teve uma perda de mais de 50%, registrando, em 2009, 25% do PIB, enquanto em países como China e Rússia a indústria representa, respectivamente, 47% e 37% do PIB.

Essa redução da participação da indústria no PIB tem sido acompanhada por diversos aspectos negativos, dentre eles a deterioração do saldo da balança comercial (diferença entre o total das exportações e importações do País) e de modificações qualitativas na pauta de produtos exportados, observando-se a redução das exportações de produtos de maior conteúdo tecnológico e o aumento dos produtos de menor valor agregado, especialmente das commodities.

Tal fato se configura em um retrocesso para o País, que avançou entre 1930 e 1980 e, no período recente está ingressando em uma trajetória regressiva. É possível constatar que a opção brasileira por um novo padrão de desenvolvimento, sem uma política industrial consistente, está acarretando transformações profundas no parque industrial.

Apesar de parcela do discurso corrente afirmar que não há problemas em ser exportador de commodities e de se ter uma economia baseada em serviços, no mundo a história tem apontado para outra realidade, especialmente a de que a indústria continua sendo a principal mola propulsora do crescimento e do desenvolvimento econômico de um país.

Quando não se dispensa a ela a devida importância pode-se ter consequências sérias, a exemplo do que observou na economia Argentina e outras economias em desenvolvimento. Às vésperas de mais um pleito eleitoral, um grande desafio se impõe: dar continuidade ao desenvolvimento econômico e social, estimulando o setor produtivo.

Esse tema será debatido com maior profundidade na palestra de abertura da XXV Semana do Economista do Departamento de Economia da UEM, realizada de 14 a 17 de setembro do ano corrente, com palestrantes vindos do Instituto da Indústria e da Tecnologia da Universidade Federal do Rio de janeiro e do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).


Elisangela Luzia Araújo, Mestranda em Economia pelo PCE-UEM e Eliane Cristina de Araújo Sbardellati, Professora do Departamento de Economia da UEM

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