• Família: uma instituição falida?

Há tempos venho ouvindo e lendo sobre esse assunto. A família no século 21 deu uma guinada interessante e deve ser não apenas julgada, mas compreendida. A vontade de escrever a esse respeito surgiu há algum tempo atrás, numa reunião de família.

Na ocasião do aniversário de um ano da filha de uma prima, ouvi meu tio discursando: "e para quem diz que a família é uma instituição falida, eu discordo, porque aqui podemos ver como a família é valiosa para todos nós". Confesso que minha primeira reação foi de emoção. A reflexão veio em seguida. E agora a compartilho.

O ser humano de nosso século deve concordar que muitas instituições estão falidas. E para nós é vantajoso que algumas dessas instituições não rejam nossos cotidianos. A questão é que muitas instituições propunham-se a ser totalitárias, pulsos firmes no comando de nossas atitudes cotidianas. Não ter mais algumas dessas regras nos liberam para ações mais vívidas de nossa força individual.

Por outro lado, ao negar as forças que costumavam comandar nossas vidas, também encontramos pessoas entre nós que se viram sem chão, sem estruturas para manter a linha de suas existências, partindo para o desrespeito a si próprios e aos outros. Esse é o grande problema do fim das instituições totalitárias. Na verdade, devo dizer melhor: esse é o grande problema do ser humano contemporâneo.

Para resolver os problemas do ser humano contemporâneo não devemos tentar nos agarrar nos resquícios das regras de outrora. Pelo contrário, devemos encarar a realidade de nossos dias. Nesse sentido eu diria que existe sim uma certa "instituição" família que está falida, acabada e sem dignidade. Mas isso não é necessariamente ruim. Essa falência se deu por causa de problemas reais.

Houve um tempo em que a mãe deveria ser dona de casa, prendada por criação, que cozinhava para seu marido que chegava da jornada laboral e para seus filhos, que eram ensinados a perpetuar sem desenvolvimento crítico o estilo de vida de seus pais.

Esse sistema patriarcal, no qual o macho mantenedor, sempre tinha a palavra final a qual todos deveriam acolher por bem e por mal, faliu. Graças à queda desse sistema, hoje temos famílias que não são ligadas por laços financeiros ou morais, mas por algo muito mais forte: a vontade de ser família.

A "vontade de ser família" gera novos tipos de família, aqueles dos familiares que se veem apenas nos finais de semana, nos feriados prolongados, nas datas comemorativas ou que quase não se encontram. Mas quando existe a oportunidade de se reunirem o fazem pelo indomável desejo de celebrar a bênção do bem-estar familiar.

Esse bem-estar familiar só pode ser gerado e gerido realmente por um princípio básico, o amor. Usar esse termo é difícil por conta dos diversos significados que a palavra amor pode ter. Mas acredito seriamente que o sentido mais valioso da palavra amor só se encontra na família, por mais diversificado ou bizarro que a organização de nossas famílias seja.

Por tudo isso, com a regência do amor e o auxílio do bom senso, podemos despreocupadamente quebrar as ruínas das antigas instituições que num passado próximo nos oprimiam, para agora criar novos tipos de laços, que não são apenas estruturas firmes e bem feitas, mas que são laços que nós mesmos criamos com nossas próprias mãos, com nosso carinho e respeito mútuo.

Ao meu tio que citei no começo do texto digo que a velha instituição família faliu sim, mas não foi para que se gerasse uma barbárie, pelo contrário, hoje temos a oportunidade de criar as famílias mais belas e bem estruturadas de toda a história.

Nossos dias podem ser confusos, mas nossa potencialidade humana, quando bem usada, pode transpor qualquer sorte de confusão para encontrar no sorriso de nossas crianças ou na sabedoria de nossos ancestrais a força da nova família, que sobreviverá ao nosso século com sinceridade e real amor.

Elton Vinicius Sadao Tada
Teólogo, mestre e doutorando em Ciências da Religião e professor do Centro Universitário de Maringá (Cesumar)

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