• Sarandi e Paiçandu lideram expansão do PIB

  • Vinícius Carvalho
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O Produto Interno Bruto (PIB) de Sarandi e Paiçandu foram os que mais cresceram entre 1996 e 2007 dentro da Região Metropolitana de Maringá (RMM), aponta estudo divulgado na quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A soma dos produtos e serviços produzidos nesses dois municípios, no intervalo de onze anos, cresceu 172,57% e 160,59%, respectivamente. O Ipea publicou a análise descontando a inflação no período, o que mostra o aumento real da riqueza de cada município.

De acordo com o instituto, a soma de bens e serviços produzidos em Sarandi era de R$ 94,67 milhões em 1996. Em 2007, a soma saltou para R$ 258,04 milhões. Em Paiçandu, o avanço foi de R$ 43,86 milhões para R$ 114,30 milhões.

Machado diz que o resultado é fruto da instalação de
grandes empresas

O crescimento do PIB de Sarandi foi 2,7 vezes maior do que o de Maringá, que progrediu 61,93% entre 1996 e 2007. A riqueza da cidade-polo passou de R$ 2,179 bilhões para R$ 3,528 bilhões no período. Na média, a RMM ficou 68,41% mais rica nesses onze anos.

O crescimento mais modesto foi registrado em Ivatuba, onde o PIB teve alta de 32,95% no período.

Houve distribuição da riqueza entre metrópole e periferia na RMM. Em 1996, Maringá concentrava 78,40% das riquezas dos 13 municípios. Em 2007, a cidade-polo responde por 75,38% do PIB regional.

Para o coordenador da RMM, Renato Machado, uma das explicações para o crescimento do PIB de Sarandi é a instalação de grandes empresas, como a estação de transbordo de açúcar e álcool CPA Tradin, que passou a movimentar grandes volumes de produtos que seguem para o Porto de Paranaguá.

"No restante da região, há a possibilidade desse crescimento descentralizado estar ligado ao crescimento do turismo rural e na expansão da indústria de confecções, que se evolui por meio de facções para os municípios menores", avalia Machado.

Para a coordenadora do Observatório das Metrópoles, a socióloga Ana Lúcia Rodrigues, o montante considerável de investimentos públicos em infraestrutura surte efeito, especialmente porque são dirigidos também aos municípios com menor dinamismo e sem capacidade de investimento com recursos próprios.

"A diferença apontada de Sarandi e Paiçandu em relação a Maringá possivelmente está relacionada a esse aporte federal de investimento", analisa Ana Lúcia. "Todavia, o desenvolvimento econômico não tem incidido sobre o aspecto social, de forma a reduzir as desigualdades de renda. Invariavelmente, a riqueza é produzida, mas é cada vez mais concentrada e sua apropriação é privada", destaca.

Para que os municípios continuem se beneficiando do crescimento econômico, a socióloga destaca a necessidade de se qualificar a gestão pública municipal e de ampliar a capacidade de se construir Políticas Econômicas que desconcentrem a renda e promovam o emprego.

"Além disso, há que priorizar ações que atendam ao interesse coletivo e não apenas aos interesses privados aos quais, historicamente, o Estado brasileiro tutela, desde a nossa descoberta", alerta Ana Lúcia.

"Atender aos interesses coletivos nos aspectos econômicos significa desconcentração de riqueza, pois essa é a única ação que verdadeiramente resultará em índices positivos para toda a sociedade", conclui a socióloga.

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