• A cada duas horas tem o balanço do trem

  • Luiz de Carvalho
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Pelo menos dez vezes por dia uma composição férrea cruza a área urbana de Sarandi de ponta a ponta, passando a apenas três quarteirões do Centro e cortando as avenidas que dão acesso a todos os bairros do lado sul da cidade.

Além do incômodo ao trânsito de carros, motos, bicicletas e pedestres, a passagem do trem perturba os moradores, aumenta o risco de acidentes e suspeita-se que seja responsável por rachaduras nas paredes de casas próximas à linha.

Há poucos dias, moradores se reuniram na Escola Municipal Darci Moc, no Jardim Vera Cruz, para discutir os problemas causados pela convivência com a linha férrea. Segundo disseram, pelo menos a cada duas horas passa um trem de carga pela cidade, algumas vezes com mais de cem vagões, parando o fluxo de veículos e pessoas por vários minutos.

Rachaduras nas paredes é um problema que provoca
reclamação

"Se a pessoa estiver com pressa, já vai ficar nervosa e isso poderá ter reflexos no trabalho e na vida familiar dela", critica o motorista de ônibus Valdemar Gonçalves, ao dizer que todos os dias é barrado pelo trem pelo menos uma vez.

O vereador Aparecido Bianco (PT), que lidera um movimento para que a concessionária da linha férrea, América Latina Logística (ALL), adote medidas de segurança na área urbana de Sarandi, diz que no passado "o trem foi um dos principais símbolos do progresso da região, mas hoje se tornou uma ameaça e um transtorno para os moradores, principalmente para aqueles que vivem próximos à linha".

A dona de casa Aparecida da Silva Beatriz, moradora da Rua Brasília, concorda com as afirmações do vereador e diz que as paredes da casa dela apresentam várias rachaduras, possivelmente como resultado do tráfego das composições.

"Quando o trem passa, vibra tudo. Acho que foi isso que causou as rachaduras". De acordo com Aparecida, o trem passa a toda hora, apita muito, faz muito barulho, tanto de dia quanto de noite.

Durante a reunião foi falado também sobre os vários acidentes envolvendo o trem, principalmente no cruzamento da linha com a Rua José Munhoz. Há pouco tempo, um Astra com dois passageiros foi arrastado por mais de cem metros por uma locomotiva e há nove meses um homem foi atropelado e morto, no local.


Série
Esta é a segunda reportagem da série sobre a linha férrea que corta Maringá e Sarandi sugerida pelos leitores Roberto Filho e Sílvio Humberto
Resende Júnior. A última será publicada amanhã.

 

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