• Reserva das Perobas guarda aves raras de rapina

  • Luiz de Carvalho
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Fotos/Arquivo Pessoal

Foi assim, no meio do mato, munido de muita vontade, binóculos e máquina fotográfica que Willian conseguiu fotografar as aves pesquisadas


Apaixonado pela natureza desde criança, o jovem Willian Menq dos Santos realizou o sonho de passar um ano inteiro no interior da maior e mais importante área de floresta do noroeste paranaense, a Reserva Biológica das Perobas, convivendo com onças, veados, tamanduás, queixadas, gaviões, corujas, pequenos pássaros coloridos, lagartos, aranhas, além de árvores de grande porte, arbustos e plantas rasteiras cada vez mais raras.

Essa vivência na mata permitiu a Willian realizar um levantamento da avifauna, registrando a presença de aves tidas como extintas no Paraná, como foi o caso do gavião-pato, ameaçado de extinção e que nunca havia sido registrado no noroeste do Estado.

A Reserva das Perobas tem 11 mil hectares e fica nos municípios de Cianorte e Tuneiras do Oeste. Em 2006 foi transformada em reserva e entregue ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que tem a responsabilidade pelo gerenciamento da área.
Estudo

Gavião-carijó, espécie típica da Reserva Biológica das

Perobas

Durante a pesquisa, Willian Menq, 21 anos, viu as transformações da floresta nos diferentes períodos do dia em cada uma das quatro estações do ano, conheceu os hábitos dos animais e sentiu crescer seu respeito pela natureza.

Mas o foco de seu trabalho era a observação das aves de rapina, um trabalho que fazia desde criança e cresceu depois que fez amizade com o ornitólogo Jorge Albuquerque.

Foi devido ao interesse pelas aves carnívoras de bicos recurvados e pontiagudos, garras fortes e visão de longo alcance que ele tornou-se participante do Projeto Gavião Penacho e da Associação Montanha Viva e foi estudar Ciências Biológicas no Cesumar. Também criou o site www.avesderapinabrasil.com.

"O chefe da unidade do Instituto Chico Mendes, o pesquisador Carlos de Giovanni, viu meu site e meus artigos e me convidou para realizar um trabalho na reserva", explica.

Orientado pela doutora Rosilene Luciana Delariva, munido do binóculo e câmera fotográfica, ele foi para a floresta, onde contou com o apoio da equipe do ICMBio, com quem aprendeu a caminhar na mata, se prevenir dos ataques de animais e a ter ouvidos e olhos atentos.

"Logo nas primeiras incursões na mata confirmei a presença do gavião-pato, espécie que chega a medir até 56 centímetros, tem plumagem branca-nívea com pequena máscara, topete e manto negros". Essa ave que ocorre do México à a Argentina, mas é rara no Brasil e nunca tinha sido vista na região.

"Por serem predadoras, as aves de rapina são importantes na cadeia alimentar, pois são indicadoras da qualidade ambiental da reserva". Segundo Menq, essas aves têm um papel importante no controle de populações de animais, garantindo o equilíbrio no ecossistema".

As aves de rapina também controlam espécies consideradas pragas como roedores, cobras e algumas aves nocivas à agricultura. A ausência desse grupo desequilibraria a comunidade de presas e afetaria até mesmo a vegetação.

De volta à cidade, Menq, morador em Maringá, termina neste ano o Curso de Ciências Biológicas e em seguida engata um mestrado, também focado nas aves de rapina. "Sou um apaixonado pela natureza nos diversos aspectos e espectros".


Por aí
486 é o número de espécies de aves de rapina catalogadas no mundo, sendo 301 de Falconiformes e 185 de corujas.

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