• Moradores se preparam para deixar o Mutirão

  • Luiz de Carvalho
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As 143 famílias que moram no Jardim Social, uma espécie de cortiço no final da Avenida Londrina, próximo ao centro de Sarandi, terão prioridade em um conjunto de casas populares que está sendo construído na região conhecida como Vale Azul, dando início ao processo de desfavelamento da cidade.

A ordem do prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT) é que cada barraco seja demolido no momento em que a mudança dos moradores for retirada, para evitar que volte a ser reocupado, como já aconteceu em ocasiões passadas.

Dona Senhorinha, moradora do Mutirão, varre a terra
com o pensamento em um piso de cerâmica

A área em que está o conjunto de casas construído há 30 anos é cercada por ruas asfaltadas, residências de bom padrão, estabelecimentos comerciais, uma escola e a paróquia de São Paulo Apóstolo.

No conjunto conhecido como Mutirão, a situação é caótica: não há asfalto, o esgoto com mau cheiro corre a céu aberto pelas ruas, lixo é amontoado por todo lado e enxurradas invadem as casas sempre que chove.

Nas moradias a situação consegue ser ainda pior: as vidraças estão quebradas, raízes de árvores racharam o piso e paredes, fossas enchem e transbordam (algumas delas ficam dentro de casa), há goteiras em praticamente todos os lares e em muitos o minúsculo banheiro está danificado. Em várias das casas moram famílias numerosas e quase sempre os proprietários são idosos ou doentes.

 


Mudou, demoliu

Segundo De Paula, as casas terão que ser demolidas no momento em que forem desocupadas, pois em outras épocas, quando a prefeitura transferiu moradores para conjuntos de casas populares, mal uma mudança saía, outra entrava.

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O conjunto Residencial Mauá, na região do Vale Azul, já está em fase final de construção e possivelmente em pouco mais de um mês todas essas famílias estarão vivendo em um ambiente mais digno, com mais qualidade de vida", afirma o prefeito.

No Vale Azul devem ser construídos três conjuntos de casas populares e um deles, o Mauá, terá metade destinada aos moradores do Mutirão.

"Daremos a dignidade que essas pessoas merecem, pois não estamos dando esmolas, todos pagarão por suas casas, apenas tornamos acessível o que é direito de todos, uma moradia de qualidade, para que possam criar seus filhos e ter uma vida melhor".

O prefeito ressaltou também que o município prestará todo apoio à comunidade do bairro no dia da mudança, pois nem todos terão condições reais de realizar o serviço.


Prestação
R$ 50 é o valor que deverá ser pago por mês pelas casas do Residencial Mauá.


Douglas Marçal

Conforme os moradores forem saindo, as casas serão derrubadas para evitar que sejam ocupadas

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