• Ônibus apodrece sem ter sido usado

  • Luiz de Carvalho
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Douglas Marçal

O interior do veículo que está abandonado em vez de servir a população


Teto apodrecido; piso deteriorado; gabinete dentário inutilizado; paredes corroídas pela ferrugem. Esse foi o fim do ônibus, onde foi montada a Unidade Móvel de Saúde Bucal, comprada há sete anos pela Prefeitura de Sarandi.

No interior do veículo, abandonado na garagem da frota municipal, dos equipamentos de primeira linha que compunham dois gabinetes odontológicos, restam apenas as cadeiras de dentista. O mais curioso é que nenhum homem, mulher ou criança foi atendido pela estrutura desde que ela chegou ao município.

A unidade móvel é um ônibus que por dentro apresenta estrutura dividida em quatro ambientes - uma sala de espera com bancos estofados, dois gabinetes odontológicos dotados de cadeiras odontológicas semi-automáticas, estufas para esterilização, refletor odontológico, lavatórios, cuspideiras com sugador de ar, armários, equipos com seringas tríplices com saída para alta e baixa rotação e bandeja auxiliar.

O equipamento, comprado em 2003, na primeira gestão do prefeito Cido Spada (PT), custou R$ 70 mil e deveria prestar cerca de 2.500 atendimentos por mês nos bairros de Sarandi, levando ainda outros serviços de saúde. Foi apresentado como uma revolução na saúde pública do município e apresentado em três inaugurações.

Antes, porém, que fosse usado, o veículo foi "esquecido" no pátio de máquinas da prefeitura e só foi redescoberto na segunda-feira, quando o prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT) foi procurado por agentes da Polícia Federal em busca de informações sobre a compra do equipamento.

A forma como a compra foi realizada está sob suspeita. Por causa das possíveis irregularidades ocorridas na época é que a unidade nunca foi usada. A empresa Saúde Sobre Rodas, que vendeu o equipamento, e a Prefeitura de Sarandi integram o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Ambulâncias, que ficou conhecida como CPMI das Sanguessugas.

A unidade móvel foi vendida por empresas que pertencem a um grupo que na mesma época foi acusado de fraudar licitações nos moldes semelhantes aos da Planam e foi paga com recursos oriundos do Ministério da Saúde, com contrapartida de 10% da prefeitura.

O prefeito Carlos de Paula autorizou a equipe dele a entregar todos os documentos solicitados pela Polícia Federal, mas acha que é impossível recuperar o equipamento, pois além da deterioração do ônibus, praticamente tudo que existia no interior desapareceu.

"Se houve algum motivo que impediu o uso dos gabinetes odontológicos na época, o ideal era que se tivesse o cuidada de proteger o equipamento para que ele estivesse em condições de uso quando fosse liberado", afirmou, citando que o tratamento dado à unidade móvel é uma demonstração de desrespeito com o dinheiro público.

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