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10/12/2010 às 02:00 - Atualizado em 10/12/2010 às 16:36
A obra do novo conjunto atrasou e as casas só serão entregues
segunda quinzena de janeiro FOTO: Ivan Amorin
As 180 famílias que moram nos 137 casebres do Jardim Social de Sarandi, conhecido como Mutirão, que sonharam que começariam 2011 em casas novas e com condições dignas de moradia, vão passar o Natal e o Ano Novo nos barracos rachados, onde a temperatura beira os 50 graus.
Se chover, as goteiras serão um problema, mas se a chuva for forte o incômodo será a enxurrada entrando pela porta da frente.
Os moradores do conjunto residencial construído há 30 anos e que se tornou na maior favela em plena área nobre da cidade deveriam se mudar para as casas populares em novembro, mas houve atraso na obra do Conjunto Mauá, na região conhecida como Vale Azul, e somente no dia dez de janeiro a Caixa Econômica Federal e a prefeitura farão o sorteio das chaves.
Com 343 unidades, o Mauá está sendo construído pelo governo federal ao custo de R$ 14 milhões liberados pelo Ministério das Cidades. Além das 180 famílias que estão no Mutirão - há casas com duas e até três famílias - a prefeitura vai diminuir a fila de inscritos para os programas de moradias populares.
"Há dois meses estou com a mudança pronta para ir para a casa nova", disse ontem a dona de casa Dainha Moreira dos Santos, que está no Mutirão há 30 anos e teve que construir uma mureta de tijolos na frente da casa para barrar a enxurrada "que entrava destruindo tudo". Segundo ela, a promessa de se mudar para uma casa nova já foi feita antes, quando foi construído um conjunto habitacional no Jardim Universal. "Mas, não cuidaram direito e antes de terminar a construção as casas foram invadidas".
Tereza dos Santos, que mora em um cômodo com dois filhos pequenos, disse que espera mudar para o novo lar antes de a velha cair.
A parede do banheiro está escorada e ela teme que a qualquer momento desabe sobre um dos filhos.
Boa parte das casas do Mutirão tem paredes rachadas, pois quando o conjunto foi construído as ruas eram arborizadas e as árvores ficaram dentro dos minúsculos quintais, próximas às casas, algumas até encostadas nas paredes. O vento se encarregou de chacoalhá-las e as paredes racharam.
No Mutirão, a situação é caótica, com água correndo pelas ruas, lixo amontoado em vários pontos, casas sem vidraças, com fossas cheias e transbordando, banheiros danificados e teto reforçado por lonas plásticas, mas há quem não queira sair de lá. O casal de catadores de recicláveis Leo Brandão e Alcides Ferreira, ambos sexagenários, é um exemplo. Leo diz que "não vamos sair do Centro da cidade para ir morar no fim do mundo".
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10/12/2010 às 02:00 - Atualizado em 10/12/2010 às 16:36
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