• Protesto de populares cancela audiência pública em Sarandi

  • André Simões
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Rafael Silva


Mais de 150 pessoas, a maioria exaltada, compareceram

ao encontro realizado no Centro Cultural

A audiência pública convocada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para discutir a ampliação do aterro sanitário de Sarandi foi suspensa ontem por causa de uma manifestação de populares contrários ao projeto da Ambisul, empresa que administra o local onde é depositado o lixo gerado no município. Não há previsão de data para um próximo encontro.
Cerca de 150 pessoas lotaram a Casa de Cultura e protestaram com cartazes e palavras de ordem. O projeto da Ambisul prevê que o aterro de Sarandi receba o lixo de outros municípios da região. Entre as entidades que deram suporte ao protesto, estão a Associação de Agricultores (Agris), a Associação Comercial e Empresarial (Acis), diversas associações de bairros e representantes de paróquias.

A audiência estava marcada para às 19 horas, e desde o começo se mostrou tumultuada pela intervenção de pessoas na plateia que não consideravam a reunião legítima, por ter sido marcada sem antecedência e em um período atribulado, entre Natal e Ano Novo. A cada momento que a representante da Ambisul, a engenheira Juliana Cardoso, tentava expor o projeto do grupo, era interrompida por manifestantes com frases recorrentes como "Sarandi não é lixão".

Por volta das 19h40, alegando falta de condições, o diretor de controle ambiental do IAP, José Luiz Bolicenha, declarou encerrada a reunião. A audiência comemorou a suspensão gritando em coro "o povo unido jamais será vencido".

Um dos mais exaltados contra o projeto da Ambisul, o vereador Aparecido Bianco (PT), destacou a união de partidos antagônicos, como PT, PSDB e PSOL, contra um projeto que contrariaria os interesses de Sarandi. "Não havia condições de haver uma audiência dessa forma, totalmente fora dos prazos e sem poder deliberativo. Essa união de partidos é uma coisa difícil de ver no País", afirmou.

O vice-presidente da Agris, João Pedro Volpato, também considerou a suspensão da audiência uma "vitória para o nosso povo", afirmando que as entidades continuarão organizadas na luta para que a ampliação do aterro não seja implementada. "Querem nos enfiar esse projeto goela abaixo, mas faremos o possível e o impossível para que o lixo não venha."

A engenheira Juliana Cardoso lamentou a suspensão da audiência sem que pudesse ser ouvida, atribuindo a exaltação do público à dificuldade de assimilar mudanças, "principalmente em assuntos delicados como o lixo".

Juliana garante, no entanto, que a empresa continuará buscando contato com os cidadãos para que entendam a diferença entre aterro e lixão, afirmando que o projeto usa de tecnologia sofisticada e fará da cidade uma referência ambiental, além de gerar empregos e renda. "Falta entendimento do que realmente esse projeto significa", ressalta.

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