• Cisto não é sinônimo de câncer

  • Juliana Fontanella

O ginecologista pode esclarecer quando o surgimento de um deles faz parte do cotidiano e quando existe ameaça à saúde

Os exames preventivos identificam os cistos e ajudam os

médicos a determinar o melhor tratamento para cada paciente


Uma das funções do exame preventivo ginecológico é detectar toda e qualquer alteração, física ou hormonal, na mulher, que seja relacionada aos hormônios e ao aparelho reprodutor. Uma das mais alterações mais comuns é o cisto no ovário, um nome que assusta muita gente. O médico ginecologista Adilson Gomes explica que os cistos ovarianos são áreas dos ovários em que há uma estrutura com líquido internamente. "Estes são os chamados tumores císticos, diferentes dos tumores sólidos, que são nódulos, como por exemplo, os miomas uterinos", afirma. Segundo ele, na maioria das vezes, os cistos são absolutamente fisiológicos, ou seja, fazem parte do processo natural de ovulação e não causam ou sinalizam nenhuma doença.

Ainda em situações normais, a mulher desenvolve cerca de dez pequenos cistos por mês em cada ovário, um deles se desenvolve mais e elimina o óvulo maduro. Ao atingir o diâmetro de dois a 2,5 cm, o cisto se rompe (ovulação) e se transforma em um outro pequeno cisto chamado de "corpo lúteo" que manterá uma possível gravidez ou desaparecerá, caso a mulher menstrue.

"Este cistos funcionais podem provocar a chamada dor da ovulação no meio do ciclo. Excepcionalmente eles não se rompem e aumentam de volume, mas tendem a desaparecer no período pós-menstrual subsequente, evitando assim uma cirurgia desnecessária", enfatiza Gomes. Em alguns casos, este folículo não rompe e ocorre um pequeno sangramento interno, neste casos os vistos são chamados de hemorrágicos, mas também não oferecem quaisquer riscos à saúde da mulher e dispensam medidas terapêuticas.

Tratamentos

Em alguns casos as mulheres podem ter problemas de ovulação e desenvolvem os chamados ovários polimicrocísticos, nestas situações há um aumento do volume total dos ovários em consequência da presença de vários pequenos cistos ovarianos. Para estas pacientes, os médicos indicam tratamentos com indução da ovulação (se há intenção de engravidar) ou o uso de anticoncepcionais hormonais para tratar os possíveis efeitos, como irregularidade ou ausência de menstruação ou efeitos na pele, como acne e aumento de pelos.

Os cistos ovarianos costumam aparecer mais na fase reprodutiva e, nesta época, são geralmente benignos. O tratamento é necessário para o cisto endometriótico, um tipo relacionado à presença de endometriose pélvica ovariana. Neste caso existem células do endométrio uterino dentro do ovário, este tecido produz sangue menstrual ali mesmo e causa a formação dos cistos. "O diagnóstico é feito por ultrassonografia e o tratamento requer cirurgia videolaparoscópica ou uso de substâncias hormonais", afirma.

O médico explica ainda que existe um tipo especial de cisto, o de linhagem germinativa, formado por células que podem dar origem a vários tipos de tecidos. Por conta disso, a mulher pode apresentar um cisto atípico e com conteúdos no interior do mesmo compatíveis com cabelos, gordura, pelos, etc. Os cistos de linhagem germinativa devem ser retirados cirurgicamente.

 

POSTURA VIGILANTE, SEMPRE

Muitas vezes o diagnóstico do cisto ovariano é feito no exame ginecológico ou em mulheres com queixa de dor pélvica, sangramento uterino anormal, aparecimento de pelos ou irregularidade menstrual.

Procedimentos como a ultrassonografia, exames de marcadores tumorais no sangue, ressonância magnética e laparoscopia também podem evidenciar cistos ovarianos.Excepcionalmente, quando um cisto de volume grande sofre torção, a paciente sente dores intensas no baixo ventre, necessitando de cirurgia urgente.

Na menopausa, fase em que não existe mais ovulação, o volume dos ovários diminui de forma acentuada e os cistos sequer são vistos no laudo da ultrassonografia.Quando o cisto é encontrado em idade avançada, na chamada "pós menopausa", existe a possibilidade de haver malignidade e há necessidade de uma investigação mais apurada.

O tratamento a ser realizado é diretamente relacionado à causa. Os cistos funcionais ou hemorrágicos, quando de pequeno volume, normalmente dispensam qualquer tratamento.A simples observação dos ciclos subsequentes menstruais já mostrará que, na maioria das vezes, os cistos desapareceram

Em alguns casos é necessário utilizar anticoncepcionais hormonais orais (as ditas pílulas anticoncepcionais), durante alguns meses e repetir o exame para realizar o tratamento clínico. Em outros, apenas a cirurgia resolve.

(Fonte: Dr Adilson Gomes)

 

INDICAÇÃO

"O acompanhamento é fundamental, mas a paciente e o médico não devem ficar ansiosos no sentido de retirar o cisto, porque pode se evitar uma cirurgia desnecessária"

Ailton Gomes
Médico ginecologista

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