• Brincar é essencial para a prática educativa

  • Talita Amaral

"A atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável à prática educativa".

A frase de Jean Piaget, renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil, revela o que muitos já sabem, mas, diante da corerria do dia a dia, pouco se lembram: que a brincadeira infantil não deve ser encarada apenas como simples entretenimento, mas como atividades que possibilita a aprendizagem de várias habilidades das crianças. Portanto, pais: estimulem os seu filhos. Neste contexto, os brinquedos pedagógicos são uma ótima opção.



Jogos de encaixe, caixas vazadas grandes ou pequenas, garrafas descartáveis, jogos da memória, cartas com números, objetos e letras, fantoches e livros de histórias. Esses são alguns dos objetos e brinquedos que estimulam os sentidos e o conhecimento infantil.

Disponíveis em lojas, eles também podem ser confeccionados junto com os pequenos, que normalmente adoram a ideia de fazer o seu próprio brinquedo.

De acordo com a pedagoga Waldeni Felícia da Silva, desde o berçário as crianças podem e devem ser estimuladas. "Todas as crianças têm potencial cognitivo, o que falta muitas vezes é o incentivo".

Segundo ela, crianças que ficam em casa com babá ou com a mãe e que não costumam se envolver em atividades lúdicas, na maioria das vezes, não demostram interesse e nem curiosidade.

"Como não são desafiadas, sentem dificuldades para se socializar. Desta forma, acabam interagindo pouco e podem crescer sem aprender a lidar com conflitos", conclui a pedagoga.

Na instituição onde a especialista Waldeni da Silva trabalha, os bebês recebem estímulos visuais e auditivos. "Trabalhamos com brinquedos que emitem sons, com fantoches e livros com figuras grandes". Ela acrescenta que, nesta faixa etária, os educadores também estimulam a oralidade, conversando e chamando os alunos pelo nome, várias vezes.

 

Douglas Marçal

Brinquedos pedagógicos desenvolvem coordenação motora, raciocínio e outras habilidades


"Também damos preferência aos objetos que rolam, assim as crianças observam os diferentes movimentos e imitam o professor. Confeccionamos materiais com texturas e caixas com aberturas grandes para que a criança encontre uma forma de passar por dentro do brinquedo", revela.

A brincadeira
"Brincar aproxima a criança
do mundo real, possibilita a
socialização e a interação"
Waldeni Felícia da Silva
Pedagoga

Segundo a pedagoga, vale utilizar garrafas descartáveis com água, guizo e outros materiais no interior para que a criança conheça diferentes sons. Entre 2 e 3 anos, os brinquedos são parecidos, porém as peças de encaixe já podem ser maiores.

"Nesta idade há maior controle dos movimentos e da coordenação, e as crianças já andam e estão começando a juntar as palavras para formar frases", lembra a pedagoga. Entre os brinquedos para esta turma estão também o plástico bolha, pinos grandes, peças em EVA e atividades com muita música para que a criança desenvolva a linguagem corporal.

"As poesias também são bem-vindas. A rima ajuda no desenvolvimento da oralidade. Já com a música trabalhamos os personagens e uma infinidade de atividades que surgem a partir deste recurso", diz.

Esta fase, segundo a pedagoga, é caracterizada pela intensa imaginação (fase simbólica) dos pequenos. "Os brinquedos pedagógicos são tão importantes que até sugerimos aos pais que, ao invés de jogar fora caixas e garrafas, montem kits para dar vazão à criatividade. A brincadeira faz com que a criança aprenda a lidar com conflitos. Isso só ocorre através do brincar", avalia.

Para os alunos com 4 a 5 anos, que cursam o fim da Educação Infantil, os jogos que envolvem as letras e os números devem ser muito utilizados.

"Exploramos as atividades de forma lúdica para facilitar o processo de alfabetização", explica. São cartas que estimulam o aprendizado da adição e subtração, além de situações problema para que a criança desenvolva o raciocínio.

"Trabalhamos muito com kits miniaturas para que os alunos, através do concreto, encontre diferentes possibilidades de resolver um desafio".

 

Três perguntas
Waldeni Felícia da Silva >> Pedagoga

O Diário - Como a falta do ‘brincar’ pode refletir na vida de uma pessoa?

A brincadeira aproxima a criança do mundo real. Percebemos que a pessoa que não brincou enquanto criança possui uma falta de interesse pelo o que está acontecendo a sua volta. Falta autonomia e curiosidade. A criança pode ficar mais dependente, justamente porque não teve estímulos e não foi desafiada a resolver situações para solucionar seus problemas. A brincadeira possibilita a socialização e a interação. É uma oportunidade de ter contato com pequenos conflitos que vão facilitar os desafios na fase adulta. O que pode acontecer é que, diante do primeiro conflito, ela se fruste e tenha problemas mais graves no decorrer da sua vida.

O Diário - Qual a sua sugestão para os pais?

As crianças precisam de  companheiros e não de brinquedos caros, de alta tecnologia. Os pais precisam separar, pelo menos, vinte minutos do seu tempo para ficar com os filhos, para brincar com eles. O diálogo e o contato físico são muito importantes nesta fase.  A hora da brincadeira é o momento em que os pais conhecem as necessidades e as fragilidades de seus filhos. Os pais devem lembrar também que a personalidade da criança se forma até os seis anos.

 

O Diário - O que é mais recomendável para os pais que trabalham: deixar a criança em casa até uma certa idade ou em uma escolal?

Mesmo que a criança fique com uma babá ou com a mãe, a experiência não será a mesma. O contato com o coletivo é um fio condutor do conhecimento. Através da interação com os colegas é que se dá a aprendizagem. A criança precisa ser tratada como criança e ela tem necessidades de conviver com pessoas da mesma faixa etária. Se a opção for pela permanência da criança em casa, o ideal é que os pais brinquem com os filhos e utilizem materiais que estimulem o desenvolvimento e o raciocínio, de acordo com a faixa etária.

 

Brinquedos pegágicos

João Paulo Santos

Fantoches ensinam a

criança a tratar com

naturalidade pessoas

com deficiência física

Palhaço feito com

arames estimula o

desenvolvimento da

coordenação motora

Jogos de cartas com

números estimulam o

raciocínio e aprendizado

da matemática

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadros de EVA

ensinam a linguagem

de sinais

Livros de pano e de

plástico e

quebra-cabeças

são opções

interessantes

Casa de madeira com

bonecos que

representam os

membros de uma

família




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