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20/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 20/11/2011 às 02:00
Não ter hora para dormir. Desconhecer o que é uma vida regrada. Rotina, inexistente. A vida é uma gangorra de emoções avassaladoras. Ora, num extremo de euforia que descamba em momentos de depressão. A escritora Virginia Woolf viveu desde cedo essa agonia.
Incapaz de controlar a vida, preferiu a morte, afogando-se num rio com os bolsos repletos de pedras. Já o escritor Ernest Hemingway viveu grandes aventuras, escreveu obras de sucesso, mas tinha de lutar sempre contra a depressão, que também o levou à morte. Apesar da criatividade e inteligência, ambos sofreram de transtorno bipolar.
Nos anos 80, o transtorno recebia o nome de Psicose Maníaco Depressiva. Se não tratado e diagnosticado de forma correta, a doença é grave.
Acomete dois períodos extremos: de depressão e de manias (ou euforia). A mania na psiquiatria não é aquela mania de colecionar, de fazer algo e sim classificada como período de uma euforia intensa.
O humor oscila tanto que pode levar a impulsos imprevisíveis e muitas vezes agressivos. As curvas de humor são tão intensas e contraditórias, que mais parecem assemelhar-se a duas pessoas com personalidades distintas.
De um lado, uma fase de grande atividade, com mil planos e a partir daí, de uma hora para outra, podem também ter períodos depressivos. No cinema, o ator Richard Gere viveu ‘Mr. Jones’ - filme dirigido por Mike Figgis.
Divulgação
Cerca de 5% da população têm o
transtorno; tratamento traz equilíbrio
O transtorno é comumente confundido com a depressão, sobretudo quando há mais períodos depressivos na doença. De louco, todo mundo tem um pouco. No entanto, seria melhor se a loucura rotineira recebesse ajuda de terapia, medicamentos e apoio.
Para o psiquiatra Cláudio Vinícius Fritzen, a confusão do diagnóstico se deve pela grande variabilidade e intensidade da doença bipolar. "Para se ter uma ideia, segundo a classificação oficial dada pelo Código Internacional de Doenças (CID-10), é possível identificar apenas três tipos, a do tipo I e II e ciclotimia. Quando se estuda literatura mais moderna, chega-se a encontrar cerca de dez tipos. Dessa forma, a complexidade de sintomas dificulta em muito o diagnóstico", afirma.
O que faz uma pessoa impulsiva, exageradamente feliz, de comportamento quase que teatral e fala acelerada passar para um outro polo em que não há energia para continuar vivendo? Em média, a doença começa a se manifestar em pessoas entre 18 e 29 anos, porém pode acometer de forma bem mais rara crianças até idosos.
Considerando todas as possíveis manifestações da doença bipolar, ela
chega a acometer cerca de 5% da população.
"A família deve estar mais atenta à inconstância do humor da pessoa. Claro que isso deve ser de intensidade maior que o esperado. Sempre devemos lembrar que mudar nosso humor é normal conforme a situação e o passar do dia. No caso da pessoa com bipolaridade, essas variações são desproporcionais ao esperado a determinada situação", alerta.
Outro aspecto importante é atentar-se para a fase em que o indivíduo está sem sono, tem comportamento imprudente, tem aumento de gastos e ideias de grandiosidade. "Em casos mais graves, pode apresentar inclusive agitação psicomotora que necessite de uma eventual internação hospitalar", diz.
Dados da Associação Psiquiátrica Americana revelam que cerca de 10% a 15% dos indivíduos bipolares são vítimas de suicídio, ou seja, tem um risco três vezes maior do que os indivíduos deprimidos. Cerca de 5% da população possuem a doença bipolar em seus diversos tipo e depressão, cerca de 6%.
De acordo com o psiquiatra Hélio Borges de Oliveira, modernos autores trouxeram a ideia de um ‘espectro bipolar’ - onde a psicose maníaco-depressiva clássica é apenas sua apresentação mais marcante.
Os diversos tipo e subtipos definidos na bipolaridade se definem com a associação entre histórico pregresso e um tempo de acompanhamento de um paciente. "Fechar diagnóstico de bipolaridade em uma primeira consulta é na maioria das vezes um ato precoce, pois só com o acompanhamento podemos compreender seu curso patológico", diz.
O drama da inconstância
"Tive uma adolescência depressiva, não saía de casa, não tinha amigos. Na fuga social, tinha os livros. Depois quis mudar o foco. Na faculdade, tentei ser o avesso. Quis buscar a popularidade a um ritmo obrigatório. Dentre os problemas existenciais normais da idade, percebi que precisava de um divã para diluir minha dor. O tempo passou e só há 14 anos descobri que sou bipolar. Foram várias crises, uma internação em hospital psiquiátrico, e depressões severas. Tomando lítio, consegui uma vida um pouco mais equilibrada. Mas, não é fácil, pois o fantasma de cada dia ‘não sei quem serei’ me acompanha. Foi difícil retomar o trabalho. O que mais quero é a serenidade".
(Amanda, 35 anos)
Para ficar atento
20/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 20/11/2011 às 02:00
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