• É cansaço ou fadiga crônica?

  • Juliana Fontanella
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"Eu já fiquei 50 horas sem dormir", dispara o professor Raul Zermiani. A falta de sono não foi intencional, ele simplesmente não consegue se desligar e repousar.

Uma das razões é a rotina apertada em que todas as horas são preenchidas. "Eu trabalho três turnos por dia, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, também trabalho em um ou dois períodos e reservo o domingo para estudar".

Apesar da cruel rotina, Raul não é o único a sofrer para dormir, sobretudo no final do ano quando muitos acumulam funções e trabalho para ganhar um pouco mais. O alerta é que o nível saudável de estresse, aquele que faz as pessoas terem ânimo para um dia de trabalho, foi ultrapassado há tempos.

No caso dele, e da maioria daqueles que se submetem a uma rotina extenuante, o organismo pode reagir com a síndrome da fadiga crônica. Trata-se de uma série de sintomas em que o indivíduo sente os efeitos do estresse prolongado, um dos mais evidentes é a perda de sono associada à perda de memória.

"O nível de atenção é tão alto que não desliga", afirma o professor do curso de Psicologia do Cesumar Rubem Mariano. "O corpo é sábio e obriga o paciente a parar quando ele ultrapassa o nível suportável de estresse". Os sintomas (veja ao lado) podem ser tratados, mas a cura só acontece com a mudança de estilo de vida.

 

Xô Fadiga!

  • Organize uma agenda com compromissos e reserve um tempo para descansar entre eles.
  • Evite acumular trabalho, aprenda a dizer não e a controlar o orçamento doméstico.
  • Exercícios são ótimos para o corpo e a alma, mexa-se! Saia de casa, faça amigos, tenha um hobby, um pet, divirta-se!

 

Como acontece
Rubem Mariano >> Psicólogo

O Diário - O que leva tanta gente aos consultórios com queixas de estresse?

O excesso de cobrança, muitas vezes por parte da própria pessoa. O indivíduo esquece que há coisas que ele simplesmente não consegue fazer, que ultrapassa o limite aceitável. O pai do professor Raul também sofreu de insônia e por motivos parecidos com os do filho (excesso de trabalho e pressão), quando os motivos se foram, ele recuperou o sono.

O Diário - O paciente pode reconquistar a saúde e aprender a conviver melhor com o estresse saudável?

O estresse positivo tende a aprimorar nosso desempenho diário, por exemplo, se você tem medo de falar em público, mas esse medo é racional, você se empenha e faz uma boa apresentação. Caso contrário, não fala. É ter esse discernimento que ajuda o paciente a evitar chegar ao ponto limite e desenvolver uma síndrome como a fadiga crônica

O Diário - O senhor diz que o corpo humano é sábio porque faz a pessoa parar mesmo que ela não queria. É um alerta?

Sim! Tem gente que é muito projetiva. A pessoa vê que alguma outra consegue e quer atingir o mesmo nível, mas nem sempre consegue. É também uma questão de personalidade. Quando se passa a combater os sintomas, também é preciso ajudar o paciente a se organizar.

O Diário - A manifestação da fadiga é física, mas aparentemente a origem dela está ligada ao lado psicológico do paciente, é isso mesmo?

As pessoas não são iguais. Os pacientes que chegam a ignorar a própria dor e necessidades básicas como comer e dormir têm um perfil específico, que não se permitem desistir. Na mesma situação, outro pode desenvolver depressão.

O Diário - O apoio psicológico e até psiquiátrico resolve?

A sociedade que cobra esta eficiência toda faz com que as pessoas não se permitam descansar. O paciente vai receber toda a orientação, apoio, vai ter chance de avaliar o que realmente importa. Outro dia encontrei um amigo, jovem, que passou por uma cirurgia cardíaca. Na verdade ele estava imerso nessa ideia de superação a todo custo. Hoje ele realinhou suas metas e objetivos para ficar mais tempo com a família, relaxar e estar em contato com a natureza. No caminho da cura o paciente vai ter que fazer esse caminho, mudar seu modo de vida.

 

Como reconhecer os sintomas

  • A fadiga crônica é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas. Nem sempre a causa é de fundo psicológico, pode ser um problema físico.
  • O cansaço é tão intenso e implacável que o paciente não consegue saber de onde ele vem, na verdade representa o desafio prolongado ao limite de cansaço.
  • Frequentemente encontramos também outros sintomas, como por exemplo alterações do sono, depressão, dores, distúrbios intestinais, dores de garganta e febre leve.
  • O paciente que chega a este nível de cansaço não dorme porque o organismo está sem disposição até para isso.
  • Os problemas que mais afetam a capacidade produtiva do paciente são a irritabilidade, a perda de memória, a falta de concentração e a deficiência de sono que compromete, inclusive, a capacidade criativa.
  • A autoimposição de superação de limites - além do necessário -afeta especialmente as mulheres.
  • O apoio de um médico ajuda a tratar muitos dos sintomas, o psicólogo pode ajudar em outros. A superação da síndrome vai depender especialmente do paciente, que tem que se empenhar, desta vez, pelo próprio bem-estar.

 

 

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