Publicidade
23º
16º
sáb - 26/05
24º
14º
dom - 27/05
24º
15º
20/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 20/11/2011 às 02:00
"Eu já fiquei 50 horas sem dormir", dispara o professor Raul Zermiani. A falta de sono não foi intencional, ele simplesmente não consegue se desligar e repousar.
Uma das razões é a rotina apertada em que todas as horas são preenchidas. "Eu trabalho três turnos por dia, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, também trabalho em um ou dois períodos e reservo o domingo para estudar".
Apesar da cruel rotina, Raul não é o único a sofrer para dormir, sobretudo no final do ano quando muitos acumulam funções e trabalho para ganhar um pouco mais. O alerta é que o nível saudável de estresse, aquele que faz as pessoas terem ânimo para um dia de trabalho, foi ultrapassado há tempos.
No caso dele, e da maioria daqueles que se submetem a uma rotina extenuante, o organismo pode reagir com a síndrome da fadiga crônica. Trata-se de uma série de sintomas em que o indivíduo sente os efeitos do estresse prolongado, um dos mais evidentes é a perda de sono associada à perda de memória.
"O nível de atenção é tão alto que não desliga", afirma o professor do curso de Psicologia do Cesumar Rubem Mariano. "O corpo é sábio e obriga o paciente a parar quando ele ultrapassa o nível suportável de estresse". Os sintomas (veja ao lado) podem ser tratados, mas a cura só acontece com a mudança de estilo de vida.
Xô Fadiga!
Como acontece
Rubem Mariano >> Psicólogo
O Diário - O que leva tanta gente aos consultórios com queixas de estresse?
O excesso de cobrança, muitas vezes por parte da própria pessoa. O indivíduo esquece que há coisas que ele simplesmente não consegue fazer, que ultrapassa o limite aceitável. O pai do professor Raul também sofreu de insônia e por motivos parecidos com os do filho (excesso de trabalho e pressão), quando os motivos se foram, ele recuperou o sono.
O Diário - O paciente pode reconquistar a saúde e aprender a conviver melhor com o estresse saudável?
O estresse positivo tende a aprimorar nosso desempenho diário, por exemplo, se você tem medo de falar em público, mas esse medo é racional, você se empenha e faz uma boa apresentação. Caso contrário, não fala. É ter esse discernimento que ajuda o paciente a evitar chegar ao ponto limite e desenvolver uma síndrome como a fadiga crônica
O Diário - O senhor diz que o corpo humano é sábio porque faz a pessoa parar mesmo que ela não queria. É um alerta?
Sim! Tem gente que é muito projetiva. A pessoa vê que alguma outra consegue e quer atingir o mesmo nível, mas nem sempre consegue. É também uma questão de personalidade. Quando se passa a combater os sintomas, também é preciso ajudar o paciente a se organizar.
O Diário - A manifestação da fadiga é física, mas aparentemente a origem dela está ligada ao lado psicológico do paciente, é isso mesmo?
As pessoas não são iguais. Os pacientes que chegam a ignorar a própria dor e necessidades básicas como comer e dormir têm um perfil específico, que não se permitem desistir. Na mesma situação, outro pode desenvolver depressão.
O Diário - O apoio psicológico e até psiquiátrico resolve?
A sociedade que cobra esta eficiência toda faz com que as pessoas não se permitam descansar. O paciente vai receber toda a orientação, apoio, vai ter chance de avaliar o que realmente importa. Outro dia encontrei um amigo, jovem, que passou por uma cirurgia cardíaca. Na verdade ele estava imerso nessa ideia de superação a todo custo. Hoje ele realinhou suas metas e objetivos para ficar mais tempo com a família, relaxar e estar em contato com a natureza. No caminho da cura o paciente vai ter que fazer esse caminho, mudar seu modo de vida.
Como reconhecer os sintomas
20/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 20/11/2011 às 02:00
Aviso importante: A reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash, etc) do portal odiario.com não é permitida e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismos de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com odiario.com para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato pelo e-mail parceria@odiario.com.