• “Eu morri e nasci de novo...”

  • Talita Amaral
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Maria (nome fictício a pedido da entrevistada) descobriu que era portadora do vírus HIV há quase dois anos e conta que a notícia foi como uma ‘apunhalada nas costas’. "Fui fazer um exame pré-operatório e descobri que estava infectada com o vírus da aids. Entrei em depressão e cheguei a pesar 27 quilos", conta.

Assim como Maria, muitos portadores ficam transtornados quando recebem a notícia da doença, que ainda não tem cura. Apesar desta realidade, atualmente os medicamentos disponibilizados gratuitamente pelo governo federal permitem que o portador de HIV tenha uma vida saudável, com a doença sob controle.

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Para Maria, a notícia trouxe ainda um outro problema. Como ela tinha catarata congênita, a imunidade baixou muito e o vírus se prolongou, causando a perda da visão. "Eu morri e nasci de novo. Graças ao apoio da Casa de Emaús e pessoas amigas que me apoiaram, tenho uma vida saudável", diz.

Apesar de se sentir bem e da doença estar controlada, Maria conta que o preconceito ainda é um dos piores problemas enfrentados pelos portadores.

Ela preferiu não contar à família, nem aos amigos para não sofrer ainda mais. "Infelizmente o ser humano ainda é muito preconceituoso e acha que não pode te abraçar, dar um aperto de mão ou um beijo".

Apoio

A dura realidade enfrentada por Maria é compartilhada por muitas pessoas em Maringá e região. De acordo com a assistente social da Casa de Emaús, associação assistencial que atende pacientes com o vírus da aids, Clarice Sobczack Chimirri, a entidade atende 327 portadores, além de familiares.

"Distribuímos cerca de 1.400 litros de leite, entre 70 a 80 cestas básicas por mês e oferecemos aulas de artesanato e temos grupos de apoio com psicólogos", explica a assistente social.

A Casa de Emaús também auxilia o portador com encaminhamentos para comunidades terapêuticas, agendamento de consultas e exames na rede pública de saúde e acompanhamentos em hospitais.

"Há dez anos realizamos esse trabalho com pessoas de Maringá e região. A maioria deles não consegue trabalhar por causa da doença e precisa da nossa ajuda", diz.

 

 

Vacinas para soropositivos

  •  

    De acordo com o Ministério da Saúde, o soropositivo deve ser avaliado por um médico antes de tomar qualquer vacina para se prevenir de doenças. Se estiverem com a imunidade muito baixa, não devem receber vacinas compostas por bactérias ou vírus vivos.
  • Diversos estudos mostram que a resposta aos organismos invasores é menor em soropositivos com pouca concentração delinfócitos T CD4+, células de defesa do organismo.
  • Normalmente os soropositivos sintomáticos não têm boa resposta às vacinas.
  • Na tentativa de obter uma resposta imunológica ideal, todas as vacinas devem ser dadas no curso da infecção pelo HIV, o mais precocemente possível.
  • A vacina contra a gripe A (H1N1 - gripe suína) deve ser tomada somente quando indicada pelo médico.
  • As crianças menores de um ano com suspeita de infecção pelo HIV ou com diagnóstico definitivo de infecção pelo HIV devem seguir orientação médica especializada. (Fonte: Ministério da Saúde)

 

Números Maringá

  • Em Maringá, a coordenação DST/Aids registrou 101 casos novos em 2011 (10,1 por mês).
  • De acordo com o setor,64% dos portadores são homens e 36% mulheres.
  • A idade mais atingidafoi de 20 a 34 anos (41%). A Secretaria de Saúde também observou um aumento significativona população com idade acima de 50 anos (17%).
  • Todo o tratamento, incluindo exames e medicamento, é subsidiado pelo governo federal. Em Maringá, o portador do vírus HIV pode adquirir os medicamentos no Ambulatório de DST/Aids.

 

 

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