• Fobia. Você tem medo de quê?

  • Fábio Castaldelli
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Transpiração excessiva, náusea, vertigem, calafrios e falta de ar. Esses foram alguns dos sintomas sentidos por Camila (nome fictício), instantes antes de iniciar a apresentação oral de um trabalho escolar, quando estava na 6ª série.

Divulgação

Medo excessivo em situações em que não há
perigo iminente atinge 10% da população

"Simplesmente travei. Minhas mãos gelaram, eu não conseguia respirar direito. Tive a sensação de que todos queriam rir de mim. Eu estava prestes a desmaiar. Em pânico, não consegui apresentar o trabalho. Naquele dia ligaram para meus pais me buscarem e os orientaram a procurar um psicólogo para me ajudar. Hoje estou melhor, mas ainda fujo de microfones. Falar em público está longe de ser um prazer para mim", diz.

Assim como Camila, estima-se que pelo menos 10% da população tenha algum tipo de fobia, um problema que, apesar de estar diretamente relacionado ao medo, é distinto.

O medo é aquele sentimento que faz com que o ser humano fique alerta em situações de perigo iminente, como diante de um cão feroz à solta na rua ou após a abordagem súbita de um assaltante. O medo é saudável e importante para nossa sobrevivência.

Já a fobia é caracterizada por um medo intenso em situações nas quais não há perigo aparente, como o medo de ficar sozinho em lugares abertos ou de falar
em público, por exemplo.

Começa na infância

De acordo com a psicóloga Gescielly Tadei, as fobias geralmente surgem na infância em razão de algum trauma sofrido pela criança e, quando não devidamente tratadas, podem desencadear quadros de depressão e até mesmo envolvimento com drogas e álcool no futuro.

Nesse sentido, vale a pena os pais ficarem de olho se o filho apresenta alguma mudança abrupta de comportamento.

"De repente a criança pode manifestar medo que outrora não sentia, como é o caso de não querer mais ficar sozinha em algum cômodo da casa, ou de relutar em ficar longe da mãe por alguns instantes", exemplifica.

A recomendação da psicóloga nessas situações é que os pais tentem estimular a autoestima e a confiança de seus filhos para encarar o medo. Caso não obtenham sucesso, procurem ajuda especializada.


Tratamento


O tratamento pode ser realizado com psicoterapia e muitas vezes é associado a medicamentos – geralmente são ansiolíticos ou antidepressivos – recomendados pelo profissional da área da psiquiatria.

A superação do problema varia de acordo com cada situação. Entretanto, de um modo geral, crianças apresentam uma resposta mais rápida ao tratamento quando comparadas aos adultos.

"Pedimos pelo menos de dois a três meses de tratamento para que ele comece a demonstrar efeito. Isso é necessário, uma vez que o ser humano é distinto de uma máquina. Lidar com ele significa dedicar tempo e cuidado para a compreensão e superação do trauma", completa a psicóloga.



CONHEÇAS AS FOBIAS MAIS COMUNS

  • AGORAFOBIA:
    medo excessivo de lugares abertos e onde exista uma grande quantidade de pessoas. Quem desenvolve este tipo de fobia evita sair de casa. O medo de se sentir mal longe do ambiente doméstico passa a imperar.
  • FOBIA SOCIAL:
    medo de se expor a outras pessoas. Nesses casos, falar em público, ir a festas e namorar são encarados como situações apavorantes. Geralmente as pessoas que têm fobia social não costumam sair de casa e se sentem seguras apenas quando em companhia de poucos amigos.
  • FOBIAS ESPECÍFICAS:
    conhecidas como fobias isoladas, elas estão relacionadas a determinados objetos ou situações, como o medo de ir ao dentista, de animais, de sangue e de altura, por exemplo.
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